Cuba: manifestantes vão às ruas em maior protesto de todos os tempos contra o governo comunista A população de Cuba demonstrou no domingo (11) sua revolta contra o governo comunista no que é considerado o maior protesto em décadas em meio à escassez de medicamentos e alimentos durante a pandemia. 

Os protestos ocorreram em cidades ao redor do país insular caribenho, incluindo San Antonio de los Baños, Palma Soriano e Havana, segundo relatos.

“É a mais massiva manifestação popular de protesto contra o governo que vivemos em Cuba desde 1959”, o ano em que Fidel Castro assumiu o poder, disse a ativista cubana Carolina Barrero ao New York Times.

Ela chamou os protestos de "espontâneos, frontais e contundentes".

Os gritos dos manifestantes incluíam "Sim, nós podemos!" e “Liberdade”, relatou o The Washington Post. Os vídeos também surgiram nas redes sociais.

Cuba tem sido um estado de partido único sob o Partido Comunista de Cuba desde que o falecido ditador Fidel Castro derrubou a ditadura de Fulgencio Batista apoiada pelos Estados Unidos em 1959. Em 2008, o irmão de Castro, Raúl Castro foi eleito presidente, seguido por Miguel Díaz-Canel em 2019.

Restrições a viagens internacionais e lockdown de meses causaram uma crise econômica em Cuba.

Horas depois do início dos protestos, o presidente Díaz-Canel se dirigiu à nação em rede nacional, instando os apoiadores do governo a confrontar os manifestantes nas ruas. Ele também acusou os Estados Unidos de causar a crise em Cuba ao impor sanções.

Funcionários públicos da Flórida, onde vivem muitos migrantes e refugiados cubanos, apoiaram o protesto do povo cubano.

“A Flórida apoia o povo de Cuba enquanto ele toma as ruas contra o regime tirânico de Havana”, escreveu o governador da Flórida, Ron DeSantis,  no Twitter.

O governo cubano emendou sua Constituição em 1992, declarando Cuba um estado laico em vez de um estado ateu, permitindo parcialmente as atividades religiosas. Desde então, a porcentagem da população do país que se identifica como cristã cresceu. No entanto, o regime comunista de Cuba persegue os cristãos. Uma nova constituição foi adotada em 2019, que também lista o país como um estado laico. 

De acordo com o Projeto Global de Futuros Religiosos Pew-Templeton , cerca de 59% dos cubanos são cristãos. Os cristãos cubanos enfrentam constante vigilância e infiltração do governo, embora a igreja esteja crescendo na ilha.

Em 2019, Cuba proibiu líderes evangélicos de viajarem a Washington, DC, para falar sobre a situação dos direitos humanos durante a reunião ministerial do Departamento de Estado dos EUA sobre liberdade religiosa internacional. 

Em 2019 e 2020, o Departamento de Estado, nos Estados Unidos, colocou Cuba  em sua “lista especial de vigilância” de países que praticam ou toleram violações graves da liberdade religiosa. 

Em um  relatório de março de 2020 , a Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional detalhou como as autoridades cubanas manipularam o sistema legal para “promover o assédio persistente” contra os líderes religiosos. O painel também expressou preocupação com a negação da liberdade religiosa para ativistas de direitos humanos e jornalistas.