Nutricionista aponta riscos da obesidade infantil e dá dicas para alimentação balanceada

Classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma epidemia, a obesidade é considerada uma doença que pode estar relacionada à genética, ao histórico familiar e até mesmo à saúde mental. Outro fator importante quando se fala em obesidade é o ambiental, com exposição a uma dieta rica em alimentos ultraprocessados, industrializados e ricos em gorduras e açúcar, além de um estilo de vida sedentário.

A questão, no entanto, é ainda mais complexa quando o assunto são as crianças. De acordo com números do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, cerca de 16% das crianças brasileiras entre cinco e dez anos estão com sobrepeso; mais de 9% apresentam quadro de obesidade; e 5% com obesidade grave.

Para esclarecer pontos importantes no combate ao problema, o Melodia News ouviu a Dra. Giselle Souza, Nutricionista formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), com pós graduação em Nutrição Clínica Funcional e Fitoterapia.

A especialista aponta que as mudanças precisam passar pelas famílias, que são exemplos para as crianças: “como você vai obrigar o seu filho a comer uma salada se você come um hambúrguer na frente dele?”

Confira a entrevista completa:

Qual é a diferença entre sobrepeso e obesidade?

Dra. Giselle Souza:
O IMC (índice de massa corporal) nos dá um posicionamento de como está a nossa saúde. Existem diversas faixas de classificação que são calculadas pelo nosso peso dividido pela nossa altura ao quadrado. O sobrepeso é o indicador que antecede a obesidade propriamente dita. Ambos são parâmetros nutricionais para indicar excesso de peso e precisam ser olhados com atenção juntamente com outras medidas antropométricas para chegar em um diagnóstico nutricional.

Quais podem ser os impactos da obesidade para a saúde da criança?

A obesidade é uma doença crônica não transmissível multifatorial que acarreta em diversos problemas de saúde. Na infância, a criança pode sentir dificuldade em respirar, problemas na socialização por vergonha de sua aparência, deficiências de diversos nutrientes importantes para o seu crescimento e desenvolvimento, retardo ou aceleramento da maturação sexual na fase da adolescência, por exemplo, antecipação da menstruação nas meninas ou retardo de crescimento nos meninos.

Fora também outros quesitos como o desenvolvimento de outras doenças crônicas como: resistência insulínica, diabetes, problemas na coluna, problemas respiratórios, dislipidemia entre outras comorbidades.

É comum que familiares incentivem as crianças a comerem bastante para que "cresçam fortes". Até que ponto isso é saudável? Não seria uma questão de focar na qualidade e não na quantidade da alimentação?

Quando você ultrapassa o limite alimentar daquela criança, ela perde a noção da sua saciedade e sempre vai associar essa percepção ao fato de estar "estufada". Então, estimular a criança a limpar o prato ou fazer chantagem para comer a comida toda para ganhar sobremesa, por exemplo, é um péssimo hábito que os pais acabam incentivando sem querer.

Respeitar o limite da criança é respeitar sua fisiologia.

Nesse caso, o que seria interessante é oferecer autonomia e ofertar sempre alimentos saudáveis à criança, para que ela tenha a opção de escolher o que vai comer dentro de opções que sejam saudáveis.

A alimentação que os pais levam também pode servir como mau ou bom exemplo para as crianças?

Com certeza! Sempre falo isso nos meus atendimentos! Você não pode pedir para a criança comer algo que não faz parte da rotina alimentar dos pais. Como você vai obrigar o seu filho a comer uma salada se você come um hambúrguer na frente dele? As crianças absorvem o que elas aprendem em casa, elas são observadoras e vão sempre olhar a postura do adulto e tentar replicá-la.

Quais são os principais alimentos consumidos pelas crianças que podem ser considerados vilões na questão da obesidade infantil?

Então, não existe alimento vilão ou bonzinho. O que temos que pensar sempre é no equilíbrio alimentar e em que momento aquele alimento se encaixa. Se você vai à uma festa de aniversário e seu filho come naquele momento algo fora da rotina, não tem problema! A questão é isso virar uma rotina.

Porém, obviamente, temos alguns alimentos que não são tão bons do ponto de vista nutricional como alimentos ultraprocessados como: biscoitos, refrigerantes, balas, doces, hambúrguer, cereais matinais, bolinhos prontos, barrinhas de cereais, etc.

Produtos que tenham uma quantidade grande de açúcar, sódio e gordura também são alimentos que devem ser evitados pelo público infantil.

E quais são aqueles alimentos que fazem parte de uma boa dieta para as crianças?

O guia alimentar para a população brasileira foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde com o objetivo de ser uma ferramenta para termos uma vida mais saudável e facilitar nosso entendimento sobre alimentação.

Sem dúvida os principais alimentos que fazem parte de um desenvolvimento saudável infantil são os alimentos com o mínimo de processamento e alimentos in natura. São eles as frutas, hortaliças do tipo A, B e C, cereais, leguminosas, oleaginosas, leites e derivados e carnes em geral, que terão todos os nutrientes e micronutrientes necessários para o desenvolvimento infantil.


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