Alerj terá sede única após recesso A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro está de mudança. A quinta-feira (01) foi o último dia em que os deputados deliberaram no Palácio Tiradentes (foto), no Centro do Rio. Após o recesso parlamentar, o prédio número 5 da Rua da Ajuda, também no Centro, antigo prédio do Banerj, passará a funcionar como única sede da Alerj. O espaço substitui as três sedes que a Casa Legislativa mantinha — além do Palácio Tiradentes, a Alerj também ocupava um prédio na Rua da Alfândega e um anexo na Praça XV. Com a mudança, todos os setores do Legislativo passam a trabalhar de forma integrada e os serviços serão modernizados.

O deputado estadual Fábio Silva (DEM-RJ), se despediu ontem da antiga Casa. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, gravado diretamente do plenário e cumprindo o distanciamento social, Fábio compartilhou sobre os momentos vividos no Palácio Tiradentes.

“Hoje é o último dia que nós deliberamos na Assembleia Legislativa neste plenário, onde tivemos muitas lutas e muitas vitórias. Todas elas a favor dos bons costumes. Nós estamos indo para o novo plenário, na Rua da Ajuda, e eu estarei como um soldado de plantão, 24 horas defendendo o povo de Deus contra qualquer tipo de projeto maligno que venha de encontro à nossa igreja e às nossas crianças. Contem comigo”, declarou o parlamentar que também é diretor da Rádio Melodia.

Os 70 gabinetes da Alerj já foram transferidos, bem como boa parte dos setores administrativos que estarão concentrados no mesmo local, chamado informalmente de "Alerjão" — numa referência ao antigo prédio do Banco do Estado do Rio de Janeiro, apelidado de “Banerjão”. O novo plenário da Casa, que é considerado a "joia da coroa" da obra, no entanto, só deve ser inaugurado em agosto, quando o recesso legislativo chegar ao fim.

O espaço é 25% maior do que o dedicado às sessões legislativas no Palácio Tiradentes e custou aproximadamente R$ 1 milhão para que fosse adaptado. O sistema de áudio do prédio, que contempla o plenário, custou aproximadamente R$ 800 mil. O painel de votações será "o mais moderno do Brasil", de acordo com o diretor-geral da Alerj, Wagner Victer.

Com sete metros de largura e dois de altura, o painel é formado por 252 telas de LED combinadas e tem resolução em alta definição. Os votos de parlamentares serão feitos de maneira digital, por meio de tablets.

Reforma após debates
O antigo prédio do Banerj voltará a ser integralmente ocupado depois de quase duas décadas de abandono. No total, foram quase três anos de obras para que a Assembleia pudesse se instalar no local. Os debates sobre um novo prédio da Alerj se estenderam por mais de dez anos. O Palácio Tiradentes era considerado obsoleto para concentrar um volume tão grande de funcionários e não atendia, por exemplo, as exigências do Corpo de Bombeiros.

O Tiradentes passará por obras e, por lá, será construído o Museu da Democracia. O plenário do local será preservado e usado apenas para sessões solenes, como posses e votações da presidência da Casa. O projeto deve ser conduzido pelo departamento de engenharia da Uerj, que está fechando um convênio com a Assembleia Legislativa.

O prédio da Rua da Alfândega, por sua vez, passará a ser ocupado pelo Rio Previdência. Já o anexo da Praça XV será devolvido ao Governo e ainda não tem um futuro certo.

Obra preservou história do prédio
Para comportar 70 deputados e mais de 5 mil funcionários, o novo prédio da Alerj conta com uma estrutura robusta: são 31 andares e três subsolos. Cada um dos gabinetes tem aproximadamente 100 metros quadrados. No anexo da Alerj, por exemplo, os gabinetes eram até 30% menores e eram separados por divisórias de plástico. A reforma manteve heranças do antigo prédio do Banerj.

No último andar do subsolo, uma estação de tratamento de água permitirá o reaproveitamento dos recursos naturais: um maquinário com capacidade de tratamento de até 500 mil litros de água por dia será responsável por reutilizar os recursos usados nos banheiros da Casa Legislativa no sistema de ar condicionado. Enquanto isso, duas linhas de energia trabalharão simultaneamente, de maneira a nunca deixar que a luz da Alerj caia. A produção energética do local seria suficiente para abastecer uma cidade com 10 mil habitantes.