Governo de Santa Catarina proíbe uso da linguagem neutra

Escolas e repartições públicas de Santa Catarina estão proibidas de usar linguagem neutra de gênero em documentos oficiais. Um decreto do governador Carlos Moisés (PSL) publicado na terça-feira (15) veda o uso de expressões como "todes" ou "todxs", adotadas como forma de inclusão a pessoas que não se sentem representadas pelos gêneros masculino e feminino. A regra vale, por exemplo, para editais de concursos públicos e planos curriculares.

A justificava é de que a linguagem neutra contraria as regras gramaticais. A decisão passou a valer na terça-feira (15) e engloba todas as instituições de ensino de Santa Catarina, sejam elas públicas ou privadas. Órgãos ligados à administração pública estadual também não devem usar esse tipo de linguagem nos documentos oficiais. 

Nos ambientes formais de ensino também fica proibido o emprego, em documentos oficiais, de linguagem que se refira ao gênero neutro. 

Em nota, a Secretaria de Estado da Educação alegou que seu objetivo é prezar pela qualidade da educação, propiciando o "respeito à inclusão e à diversidade, ressaltando a norma culta e gramatical da língua portuguesa". 

Por conta disso, a SED vai atuar no sentido de orientar os profissionais de educação e coordenadorias regionais para a utilização do padrão da norma culta da língua portuguesa em documentos oficiais, incluindo as provas e demais documentos escolares.

Além do governo estadual, outras cidades catarinenses também criaram iniciativas para proibir a linguagem neutra dentro das instituições. Em Balneário Camboriú, no Litoral Norte, um projeto semelhante tramita na Câmara de Vereadores.

Capitais como São Paulo e Belo Horizonte também têm projetos sobre o assunto ainda em análise. 

Menine, todxs, amigues. Esses são só alguns dos exemplos do uso da linguagem neutra — também conhecida como não-binária —, que ganhou ainda mais força na internet. O principal objetivo do movimento, que surgiu nos últimos anos, é tornar a língua portuguesa mais inclusiva, sem se importar em ferir a gramática, para pessoas transexuais, travestis, não-binárias ou intersexuais.