Caso Lázaro: pai chama serial killer de

O caso Lázaro ficou entre os assuntos mais comentados das redes sociais nesta semana. Lázaro Barbosa, de 32 anos, é apontado pela Polícia Civil do Distrito Federal como autor da chacina de uma família de Ceilândia, onde três pessoas estavam sendo feitas reféns no local. O homem é acusado de matar quatro pessoas, balear três, invadir chácaras, fazer reféns e atear fogo em uma casa. Até a manhã desta quinta-feira (17) ele continuava foragido.

Lázaro também baleou um policial durante troca de tiros. Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás informou que o atingido foi socorrido pelo helicóptero do Corpo de Bombeiros e encaminhado ao Hospital de Anápolis. Ainda não há atualizações sobre o estado de saúde do policial.

O "Correio Brasiliense" divulgou entrevista exclusiva com o pai de Lázaro, o aposentado Edenaldo Barbosa Magalhães, 57 anos. Ele chama o filho de monstro e diz ter vergonha da repercussão dos fatos. "Esse monstro, eu registrei, mas quando as pessoas falam 'o seu filho', aquilo me estremece todo. Não dá vontade nem de ficar mais na Terra. Eu estou arrasado", lamenta.


Edenaldo contou ao Correio que se casou com a mãe de Lázaro, Eva Maria Sousa, aos 17 anos, no município de Barra do Mendes (BA) e que o relacionamento deles foi conturbado, marcado por brigas, agressões e acusações de traição de ambas as partes. Quando o casal se separou, Lázaro Barbosa e o irmão mais novo, Deusdete, ainda eram crianças.

De acordo com Edenaldo, a mulher se envolveu com um criminoso, o que, segundo ele, motivou os dois filhos a seguirem o caminho do crime.

Morando no Entorno do Distrito Federal há mais de 20 anos, o aposentado só reencontrou o filho há seis anos. "Só me visitou e foi embora. Foi quando ele teve uma fuga aí. E eu com o coração na mão, doente. Só não morri ainda porque acho que Deus não quis", disse o homem.



Histórico de terror


Lázaro começou a espalhar uma verdadeira onda de terror na localidade de Incra 9 no dia 9 de junho. A região amanheceu com a notícia da morte de três homens e o desaparecimento de uma mulher. O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) foi acionado, na madrugada daquela quarta-feira, para atender uma ocorrência de agressão física com uso de faca, no entanto, encontrou um triplo homicídio. O empresário Cláudio Vidal de Oliveira, 48 anos, e os filhos dele, Gustavo Marques Vidal, 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15, eram as vítimas.

As buscas por Cleonice já completavam 24 horas quando a PCDF descobriu outra invasão em uma chácara próximo ao local onde a empresária foi sequestrada. Lázaro foi reconhecido pela nova vítima, Silvia Campos de Oliveira, 40 anos. Durante três horas da tarde de quinta-feira (10/6), ela e o caseiro, identificado como Anderson, 18, foram mantidos como reféns.



Na madrugada de sexta-feira (11), a busca por Lázaro e Cleonice ultrapassou a fronteira do Distrito Federal. O suspeito invadiu uma chácara em Ceilândia, fez o caseiro refém e roubou um veículo, que usou para seguir até Cocalzinho de Goiás (GO). Lá, na BR-070, Lázaro incendiou o carro. Durante toda a sexta-feira, cerca de 80 policiais civis e militares do DF e Entorno, auditores fiscais e rodoviários federais estavam no município goiano para tentar capturar Lázaro.



Ainda na cidade, Lázaro invadiu outra chácara, fez um caseiro de refém e o obrigou a cozinhar no sábado (12). Depois, invadiu outra residência e baleou três homens, que ficaram em estado grave. No fim da noite, ateou fogo em outra chácara. Foi neste mesmo dia que o corpo de Cleonice foi encontrado por familiares e vizinhos, em um córrego próximo ao local em que morava.



No domingo (13), Lázaro roubou um carro, crime denunciado pelo dono aos mais de 200 policiais mobilizados na cidade de Cocalzinho. O veículo foi encontrado às margens da BR-070, próximo a Edilândia (GO), local em que as buscas foram intensificadas.

Na segunda-feira (14), Lázaro trocou tiros com o caseiro de uma chácara na região e possivelmente se feriu, segundo testemunho da vítima.

Na terça (15) ele foi filmado por câmeras de segurança em outra fazenda, pegando água em uma geladeira.

Nesta quarta-feira (16), em evento em Brasília, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) afirmou que mais de 300 agentes de segurança, que incluem policiais de Goiás, estão empenhados em capturar Lázaro, mas que o foragido tem feito a polícia "quase de boba".



"Essa caçada nos impressiona muito. São quase 300 homens da polícia do Distrito Federal e de Goiás que estão atrás desse marginal e que não conseguiram ainda localizá-lo. Espero que isso aconteça o mais rápido possível, para que a gente possa tranquilizar as famílias daquela região e dar a punição devida a esse marginal que vem causando tanto mal e que vem fazendo a polícia do Distrito Federal e do Goiás quase como de bobas", afirmou o governador.



A Polícia Militar usa helicópteros, cães farejadores e conta com auxílio da Polícia Federal para capturá-lo. "Trata-se de um bandido perigoso e pelo jeito treinado em se esconder pelas matas", disse Ibaneis.