Sergio Lopes fala de poesia, composição e testemunho após acidente: “olhos marejados”

O cantor, compositor e poeta Sergio Lopes foi o nome do programa ‘Melodia Ao Vivo’, da Rádio Melodia FM, que foi ao ar na última quinta-feira (10) também no YouTube. Além de cantar os louvores que fizeram e fazem sucesso há muitos anos no cenário da música gospel, Sergio bateu um papo com os apresentadores Edinho Lobo e Debora Lyra.

Entre os assuntos estão a música e a poesia em sua vida, a inspiração para novas composições e um testemunho emocionante após o acidente automobilístico que o artista passou em 2004: “aqueles três dias de CTI me deram a certeza de que Deus estava me dando um recado: que eu não posso deixar de exercer o ministério que Ele confiou para mim”, conta.

Confira a entrevista completa:

Sérgio, a música e a poesia estão na sua vida já desde cedo, não é? Como foi o início dessa relação?

Sérgio Lopes:
Na minha infância, na Igreja Congregacional de Campina Grande, lá na Paraíba, onde eu nasci e fui criado.

A música já estava meio que na minha veia, porque eu pegava qualquer instrumento, qualquer lata d'água, calota de carro, fazia daquilo ali uma percussão. Eu pegava uma calota de fusca, botava uma mola atravessada de um lado pro outro, fazia um instrumento chamado reco-reco. Lata d'água, que naquela época se usava muito, minha mãe tinha umas que ela botava no quintal, e eu pegava, virava e transformava em tambor. Eu chamava os amigos da rua, e a gente fazia meio que um grupo de samba ali, à noite a gente tocava na calçada de casa com esses instrumentos de percussão que eu fazia. Depois eu ganhei um violão de presente de um primo e acabei descobrindo que tinha também caminhos na área de harmonia para compor, que é o que faço até o dia de hoje.

Então começou isso lá na minha infância, aos 12 anos, na Igreja Congregacional de Campina Grande.

Recentemente você regravou um de seus maiores sucessos, se não for o maior, que é a música 'O Lamento de Israel'. Qual foi a sensação?

A música já foi gravada em vários DVDs - na época que a gente gravava DVDs, hoje está tudo no YouTube, hoje a música é imagem, antigamente era áudio, agora a música é imagem. Uma música toca na Melodia... para você ter uma ideia, a música 'Tudo Vem do Senhor' estava com 38 mil visualizações no YouTube, tocou na Melodia já passou de 50 mil, porque as pessoas ouvem a música e querem ver a música, aí corre para o YouTube.

E a música 'O Lamento de Israel' já tinha sido gravada em várias versões, em vários ritmos - claro que a original, que é aquela que me trouxe para o cenário da música gospel, que tem uma gravação linda de violino, acabou ficando um pouco para trás, porque outras versões foram gravadas. A última que a gente gravou também já está disponível no YouTube. Então, se a pessoa quiser "ver" a música 'O Lamento de Israel' tá lá no meu canal.

Tanto suas músicas quanto você têm uma expressão máxima de simplicidade. Você é uma pessoa tão conhecida, uma pessoa tão querida no cenário gospel, mas tão simples ao mesmo tempo. Do início do seu ministério até agora como você faz essa avaliação ministerial?

Olha, toda autoavaliação é muito perigosa. Eu, sinceramente, não faço autoavaliação, eu vou seguindo o curso da vida, eu vou atendendo minhas agendas, vou me relacionando com as pessoas, agora muito presente nas redes sociais, principalmente no Instagram... mas tudo isso, qualquer qualidade que vem de fora nos classificando, é muito temeroso a gente acreditar que aquilo seja verdade, porque quando a gente acredita que alguns elogios são verdade, a soberba começa a subir para a cabeça das pessoas.

Então, nem essa simplicidade que você fala eu vejo, mas as pessoas veem. Eu só posso agradecer a Deus que isso tem servido para abrir as portas para mim em muitos lugares, como igrejas, eventos, essa semana nós participamos de um evento lá em São Paulo chamado 'Troféu Gerando Salvação’, uma coisa que me pegou de surpresa, não esperava aquilo tudo. Enfim, eu lido com isso com... simplicidade.

Você sofreu um acidente automobilístico em 2004. Você consegue trazer na sua memória o que pensou nos momentos seguintes? É o momento que pisa no fundo do poço e pensa que está, talvez, faltando algo perceber algo que Deus colocou no coração?

Bom, antes de falar desse momento, é muito importante falar o que antecedeu esse momento, que foi aquele período terrível de hospital, de CTI. Naquela época, em 2004, quando aconteceu o acidente e chegou na Rádio Melodia a notícia que eu estava no Hospital Mário Lioni, em Duque de Caxias, quando a Rádio noticiou que eu estava precisando de sangue foi uma coisa linda o que aconteceu naquele hospital, é um testemunho que eu tenho para levar para o resto da vida. Foi tanta gente indo para o hospital para doar sangue que a própria diretoria do hospital se sensibilizou.

O Francisco Silva ainda estava com a gente nessa época e levantou um clamor na Rádio, onde chegava o sinal da Rádio melodia tinha gente que estava sendo convidada a orar pela minha vida. Eu falo isso com os olhos marejados, porque foi um momento em que a interseção da Igreja, o clamor da Igreja, a prática do amor em ter ido tanta gente para aquele hospital para fazer a doação de sangue fizeram com que eu visse o poder que tem essa Rádio para mobilizar a Igreja, para mobilizar o povo de Deus, foi uma coisa fantástica.

E depois, no CTI já - eu descobri que fiquei três dias no CTI quando fui para a enfermaria - e naquela época eu estava querendo meio que parar com a música, eu já tinha feito isso lá no começo quando saí do 'Altos Louvores', eu queria me dedicar ao Direito, à advocacia. E mais uma vez veio essa vontade lá em 2004 e eu estava parando com tudo, fechando agenda, queria realmente voltar a advogar. Naquele acidente Deus me colocou durante três dias num CTI e, quando eu cheguei na enfermaria e soube que fiquei três dias no CTI, eu imediatamente associei a minha situação à situação do profeta Jonas, que ficou na barriga do peixe porque Deus mandou ele para um lugar e ele estava indo para outro, Deus mandou que ele fosse para Nínive e ele estava indo para Társis. Eu estava querendo fazer mais ou menos o que Jonas fez, Deus tinha um chamado para mim na música e eu estava querendo ir para um outro caminho e parar com esse chamado que Ele me deu.

Então, essa experiência fantástica que eu tive naquele acidente, aqueles três dias de CTI que para mim foram três dias na barriga do peixe como Jonas também passou, me deram a certeza de que Deus estava me dando um recado: que eu não posso deixar de exercer o ministério que Ele confiou para mim. Essa foi a grande experiência que eu tive daquele acidente.

Como é a vida do Sergio Lopes em casa? Gosta de cozinhar?

Gosto de tudo isso, gosto de brincar com as meninas, nessa época de pandemia então que a gente está aproveitando para ficar mais tempo com a família, a gente tem se curtido bastante. Antes da pandemia era uma viagem atrás da outra, não parava em casa praticamente, e agora está sendo maravilhoso. Eu estou curtindo esse lance de ficar em casa com as meninas, com as minhas filhas.

Dentre as músicas que você compôs, qual é aquela que você tem uma emoção, que se identifica com sua vida? Tem uma em especial?

É a música 'O Amigo'. Essa coisa da composição é muito inusitada, ela surge em momentos que você não espera. Para você ter uma ideia, eu deitei essa noite cedo, porque eu sabia que tinha o 'Melodia Ao Vivo' para fazer, mas às 2h da manhã me bateu uma inspiração e eu comecei a compor uma música, com o celular, na cama, escrevendo a letra no bloco de notas... às 5h da manhã eu ainda estava acordado, gravando a música para mandar para o Tiquinho Santos, que é o meu produtor, lá de Bom Jardim, já está com ele a música.

Eu acabei não conseguindo dormir, mesmo eu tendo planejado dormir para chegar super descansado, mas a inspiração vem em momentos que a gente não espera, ela chega, te pega e, se você não pegar uma caneta e gravar aquela música, você perde. Existem músicas que eu já compus que são belíssimas, que mesmo sem acompanhamento nenhum, simplesmente cantarolando a música, mas por eu não ter gravado, quando acordei pela manhã, tinha se perdido. Está aqui dentro do meu cérebro, em algum lugar, nos escaninhos do meu cérebro, mas essas músicas sumiram.

Por isso que essa noite eu compus uma música chamada 'Meu Filho, Eu Te Avisei'. Essa música, para mim, é a música que está me dando respostas sobre essa pandemia toda que a gente está passando, que a Igreja está sofrendo, o que as pessoas estão sofrendo nessa pandemia. Eu acredito que Deus me deu uma música nessa madrugada que vai responder perfeitamente essa sua pergunta sobre o momento dessas composições.

Sérgio, fala aí sobre suas redes sociais, seus contatos. Você já está voltando a cantar nas igrejas presencialmente?

Já. Na verdade, eu não parei de cantar nas igrejas, mas as igrejas estão me pedindo para não divulgar, porque quando divulga pode ter problemas com as restrições, a quantidade de gente que vai ter na igreja. Então, na verdade, a agenda não parou, as viagens pararam. As viagens para fora do estado só são retomadas a partir de agosto, agosto já tem um monte de agenda para fora do Rio. Mas esse tempo todinho eu tenho cantado pelo Rio, pelo interior do Rio, viagens que eu vou de carro, está dando tudo certo.

O Instagram é minha rede social que fico mais presente, que é o @sergiolopespoeta, o meu canal oficial do YouTube é o 'Sergio Lopes Oficial' e o Facebook é Sergio Lopes'. O WhatsApp de sempre é o (21) 98174 - 4912.