Padre e falsas freiras são acusados de escravizar mulheres Um caso de tortura e escravidão envolvendo a Fraternidade Missionária de Cristo Jovem choca a cidade de Vila Nova de Famalicão, em Portugal.



O padre Joaquim Milheiro Valente e três mulheres (Maria Arminda Costa, Maria Isabel Silva e Joaquina Carvalho, tratadas internamente como freiras, apesar de não serem formalmente ordenadas) são acusados pelo crime de tortura e escravidão contra nove mulheres que foram noviças na paróquia. As falsas freiras trabalhavam com o padre na administração da Fraternidade, e também da IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social).



Segundo o Ministério Público português, as jovens noviças que passaram pela instituição entre os anos de 1985 e 2015 sofreram “agressões físicas, injúrias, pressões psicológicas e castigos de diferentes tipos, além de estarem sujeitas a trabalhos pesados, humilhações constantes e ter acesso restrito à comida, cuidados médicos e espaços de liberdade”.



As investigações do MP apontam a falsa freira Maria Arminda Costa como a principal agressora.

As vítimas tinham sempre o mesmo perfil, eram mulheres jovens de origem humilde, piedosas, tementes a Deus, com poucas qualificações ou emocionalmente fragilizadas, e que queriam integrar uma comunidade espiritual católica.



Alguns dos castigos e humilhações descritos pela acusação dão uma ideia do que as vítimas sofreram durante os anos em que estiveram na Fraternidade: as noviças eram proibidas de tomar banho, às vezes dormiam no chão e ao lado dos cachorros, eram obrigadas a se autoflagelar e a andar nuas pelo jardim. O acesso à televisão e qualquer atividade de recreação tampouco eram permitidos.



O MP também revelou que uma das vítimas da Fraternidade cometeu suicídio em 2004, atirando-se em um tanque de água que havia na propriedade, após mais de 20 anos de abusos. A investigação afirma que a acusada Maria Arminda da Costa a mantinha como vítima preferida de suas agressões, e que na noite anterior à sua morte serviu a ela uma janta com os excrementos dos cachorros, como forma de castigo após ter sido flagrada olhando para uma televisão.