Kleber Lucas se emociona com música cantada por profissionais de saúde: “chorei muito com o vídeo

Um dos maiores nomes da música gospel nacional, o cantor e pastor Kleber Lucas esteve no estúdio da Rádio Melodia na última semana para ministrar alguns de seus louvores. No programa ‘Melodia Ao Vivo’, apresentado pelo locutor Edinho Lobo, Kleber conversou sobre o momento de sua carreira, a reinvenção durante a pandemia e também comentou sobre um vídeo emocionante em que profissionais de saúde cantam sua música ‘Acredita Só Um Pouco Mais’ em um Centro de Terapia Intensiva (CTI): “Foi muito forte, foi muito emocionante, eu chorei muito quando vi aquele vídeo”.

Na entrevista, Kleber Lucas falou também do desafio de conciliar a atividade como pastor da Igreja Batista Soul com a carreira musical e a atuação acadêmica, uma vez que é mestre e doutorando em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Confira como foi a conversa:

Edinho Lobo: Kleber, seja bem-vindo à Melodia!

Kleber Lucas:
 Que alegria estar aqui na Melodia! Estava conversando com o Marcelo Silva (diretor da Rádio Melodia), com essa família que me acolhe desde que eu vim de Brasília para cá, muitos anos atrás, e é sempre muito bom estar aqui no espaço, conversando com muita gente, chegando para muita gente do Brasil e do mundo todo. Hoje com a internet não há fronteiras que não possam ser ultrapassadas.

É sempre uma emoção, não é?

Eu estava cantando aqui, estava imaginando a quantidade de pessoas que estão nos ouvindo agora, identificadas com essa mensagem, sabe, esse compromisso que a gente tem pra levar uma mensagem de Deus, de esperança que traduz a nossa caminhada, que traduz a vida de cada um.

Quando eu fiz a canção 'Deus Cuida De Mim', ela só era a minha música, só era a minha vivência, eu trabalhando na feira, trabalhei vendendo limão na feira. Eu vi uma foto aqui (no estúdio da Rádio Melodia) maravilhosa que Marcelo me mostrou do Francisco Silva, novinho, trabalhando na feira, eu falei "gente, que coisa!".

Eu trabalhava no ferro velho, entregando e vendendo ferro, e 'Deus Cuida de Mim' é o retrato de uma história, isso gera uma emoção, eu estava imaginando, nesse tempo de pandemia, a quantidade de gente que está nos ouvindo agora, precisando dessa palavra... Deus está cuidando, às vezes, uma porta se fecha aqui, outras portas serão abertas, então é muita emoção saber que eu estou aqui na número 1 do Brasil.

Kleber, músico, pastor, pai e também mestre e doutorando em História pela UFRJ. De onde vem tanta energia?

Eu sou uma pessoa muito intensa, eu durmo pouco... o fato de dormir pouco - assim, se eu dormia 4 horas por dia está ótimo, estou feliz - então, sobram 20 horas por dia para fazer muita coisa, para administrar muita coisa. E eu sou focado, eu faço muitas coisas, mas eu não faço tudo. Eu faço muitas coisas, e nas coisas que eu faço, que eu separei para fazer, eu acho que consigo ser bem dedicado, e dá tempo para fluir em tudo.

Agora, Kleber, você tem uma relação muito íntima com o teclado. Mas o que você gosta mais de fazer com ele? Tocar, produzir, o que você gosta mais?

Eu tenho meu piano em casa e eu uso muito do meu tempo para composição, para estar passando as coisas, gravando... agora nesse tempo, a gente vai sempre se adequando e se adaptando ao momento, nesse tempo de pandemia está tendo muita live, então meu piano fica ali, já deixo o celular prontinho, de vez em quando surpreendo todo mundo, não anuncio nada e começo a tocar minha trajetória, que é uma trajetória bem extensa, graças a Deus. Mas eu uso muito mais o piano para a composição.

Mas quando foi que você percebeu que esse instrumento era o que você queria tocar?

Isso é muito legal, porque eu comecei a tocar piano com 37 anos de idade. Eu já tocava, eu falei assim “olha, quando eu tiver com 40 anos eu não quero mais precisar de alguém para fazer alguma coisa que está na minha cabeça, que eu não consigo traduzir para as pessoas”. Então, foi uma necessidade de crescer musicalmente, de colocar para fora o que estava dentro de mim, porque, às vezes, eu tentava solfejar, mas não era a mesma coisa. Então, eu procurei o professor Rafael Vernet e comecei a estudar mais para composição mesmo, e eu gasto muito tempo tocando, gasto muito tempo passando repertório.

Há algumas semanas você compartilhou um vídeo da canção 'Acredita Só Um Pouco Mais' sendo ministrada por profissionais de saúde em um CTI. A música tem tudo a ver com esse momento, não é?

Essa música está tendo um impacto muito grande na vida de muita gente, ela chegou mesmo como um dom de Deus, um presente de Deus para a minha vida e para vida de muita gente que - quase 2 milhões de pessoas que já visualizaram a música em alguns dias desde que ela foi lançada.

E eu fiquei impactado quando eu vi esse vídeo dos profissionais de saúde cantando ali naquele ambiente tão desafiador, onde o milagre precisa acontecer, onde as pessoas estão vivendo a espera de um milagre, onde lágrimas estão sendo derramadas, onde a esperança se esvai do coração de muitos que perderam entes queridos, onde pessoas estão lutando por sua sobrevivência, mas pela sobrevivência de outros estão expondo suas vidas, estão correndo o risco de não voltar para casa, ou de se contaminarem, contaminarem outros. Foi muito forte, foi muito emocionante, eu chorei muito quando vi aquele vídeo dos profissionais de saúde cantando. Um médico pegou um violão num intervalo pequeno que eles têm para um lanche e tocou a música. Eu realmente fiquei muito impactado.

Eu tenho sido muito impactado também por pessoas como a Luana, que foi trocar uma válvula do coração, ela já tinha uma e teve que trocar, e ela escreveu no vidro da casa dela “Acredita só um pouco mais”. Ela ligou para mim ontem, eu fiquei emocionado demais, ligou para mim ontem com a voz ralinha, falando: “fiquei 8 horas, ainda estou no CTI, mas eu quis falar com você para dizer que, enquanto eu estava acordada, antes de ser sedada, eu fiquei cantando o tempo todo ‘Acredita só um pouco mais’, e Deus me trouxe de volta à vida, me deu uma oportunidade de viver novamente”.

Então é isso, é uma mensagem que grita para tanta gente que está aí em um tempo desafiador, que perdeu o negócio, empresas que fecharam, empresários que estão correndo, gente que está no Uber, está apertado para todo mundo, e vai perdendo a fé... acredita só um pouco mais! É uma injeção de ânimo, de encorajamento.

Dentre os locais no Brasil, ou até fora, que você já foi, qual foi o que marcou mais?

É complicado. Quando a gente pensa no Brasil, tem essa pluralidade. Uma vez eu fui tocar numa cidadezinha no Sul que a segunda língua daquela cidade era o português e a primeira língua era o alemão, todo mundo falava alemão. A gente chegou na programação – era uma festa agropecuária e, geralmente, em festa está todo mundo em pé, mas lá estava todo mundo sentado numa cadeira, num galpão grande assim, aquele silêncio – eu falei “acho que ninguém vai gostar, o que a gente está fazendo aqui? Ninguém vai conhecer minha música.” E quando eu comecei a ministrar foi uma recepção tão calorosa, tão linda, que eu falei “gente, como que o Brasil é diverso e como é que, às vezes, a aparência engana”, você olha para uma pessoa, acha que a pessoa muito séria, mal-educada, mas às vezes a pessoa é tímida.

E eles lá no Sul fazem aquele churrasco no quintal, põe a carne no chão, aqueles garfos, já come com um chimarrão, e contam histórias lindas da minha trajetória, da minha música na vida deles, então o Brasil tem essas diferenças. Por outro lado, já fui ministrar em Feira de Santana (BA), que a cidade toda veio para nos acolher, nos receber, fui pra Macapá (AP), por exemplo, e estava todo mundo no aeroporto, aquele tumulto de gente, e eu imaginando o que que estava acontecendo. Eles estavam esperando a gente lá, de madrugada. Nós já fomos cantar no meio da tribo Terena, enfim, temos muita experiência nesse Brasil que é plural e lindo.

Nesse tempo de pandemia, a palavra da moda foi reinvenção. Como é para aquele levita de Deus, aquele que produz canções que apresenta nos palcos, nas igrejas, ter que ficar em casa, num distanciamento? Qual foi a reinvenção de Kleber Lucas nesse momento de pandemia?

Eu tenho uma visão sobre isso, sobre essa questão de você se reinventar, porque dizem que você tem que se reinventar o tempo todo... a gente está vivendo um tempo muito acelerado da história em que as pessoas estão deixando de viver ou de fazer sua própria história para tentar acompanhar a velocidade das coisas. Então elas, às vezes, se perdem porque dizem “eu quero ser pastor... não, vou sair do pastor, agora vou fazer medicina... vou sair da medicina, vou ser levita”, enfim, as pessoas vão se confundindo, se perdendo, querendo fazer tudo. Não dá para você fazer tudo.

Então, um segredo meu que eu procuro fazer é você entender o seu tempo, o tempo que você está vivendo. Nesse tempo de pandemia, sem viagem, sem aquela rotina de 30 anos fazendo isso, 30 anos viajando o tempo todo, toda semana tem uma programação, de repente você está em casa. O que você vai fazer? Serenidade, buscar Deus, entender uma forma melhor de você estar perto das pessoas que estão nessa expectativa, levando aquilo que você sempre levou, que é uma mensagem de Deus. Porque eu acredito que essa vocação abre o caminho para as outras coisas na nossa vida, então você, de casa, vai fazer suas lives, enfim.

Às vezes, sim, você vai abrir uma fonte nova, mas procura focar naquilo que você tem, que foi vocacionado para fazer, porque daqui a pouco tem pastor dizendo “não sou mais pastor, sou coach”... mas você não era pastor? “Não, agora eu não sou pastor, agora sou coach, eu sou cantor...” não tem problema nenhum em ser coach, de você migrar, fazer essas migrações, mas não faça isso por causa da necessidade. Procura focar na sua vocação, porque você é bom, você é imbatível naquilo que você foi chamado para fazer.

Já pensou, agora, a partir de hoje vou ser locutor, vou fazer um curso para ser locutor da Melodia, para estar ali disputando espaço? Não, vou ser o que eu nasci para fazer, porque eu sou próspero nisso.

E, Kleber, onde o pessoal pode ouvir suas músicas, quais sãos contatos para convidar você?

Tenho meu canal no YouTube, queria convidar o pessoal para ouvir minha música e vários devocionais que eu faço no YouTube, ‘Kleber Lucas’. No Instagram, Facebook, Twitter é sempre ‘Kleber Lucas’ também, e lá tem o telefone de contato da minha assessoria, que cuida da minha agenda, então todos os canais meus têm o telefone de contato. Vai ser um prazer muito grande estar nas igrejas grandes, igrejas pequenas, pequenos eventos, grandes eventos, porque é isso que a gente faz, é isso que eu faço há 30 anos.

Eu tenho muito prazer e me sinto muito honrado em estar ministrando em igrejinha, às vezes no meio da favela, ou num lugar muito difícil e, às vezes, nos grandes eventos... estamos lá com a mesma equipe. Já fomos com a equipe toda, a igreja não tinha bateria e ficamos só no pandeiro. Mas a gente vai inteiro.


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