Vítimas reconhecem pai de santo acusado de abuso sexual

O pai de santo Mario Luiz da Silva, conhecido como Pai Mario, de 53 anos, foi preso temporariamente suspeito de abusar sexualmente de pelo menos cinco mulheres, uma delas menor de idade. Segundo ele, a prática servia para promover uma “limpeza espiritual” nas vítimas. Os crimes teriam acontecido durante mais de 10 anos no barracão de um centro espírita, em Senador Vasconcelos, na Zona Oeste do Rio. Ele está sendo investigado por estupro, estupro de vulnerável e posse sexual mediante fraude.


De acordo com o delegado Davi Rodrigues da 35a DP (Campo Grande), as mulheres, acompanhadas pelo advogado Jeanderson Kozlonsky, do Instituto Nacional de Combate à Violência Familiar, procuraram a delegacia durante o Maio Laranja, quando é celebrado a campanha do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. 


Elas contaram que Pai Mario se utilizava das festas e dos banhos de piscina para abusar das frequentadoras do barracão. Ele alegava que uma entidade o ordenava a realizar a tal limpeza e que os espíritos não viam os toques que realizava como sendo de cunho sexual.

Nos depoimentos, as mulheres relataram ainda ameaças e intimidações por parte do pai de santo. Ele falava que, caso dissessem para alguém sobre o que ocorria no local, ele realizaria feitiçaria contra elas. Mario também é suspeito de registrar alguns dos abusos em fotos e vídeos. Ontem, dois telefones celulares foram apreendidos e passarão por perícia.

A juíza Isabel Teresa Pinto Coelho Diniz deferiu, no último domingo, a prisão temporária de 30 dias do pai de santo. Na decisão, a magistrada afirmou que a segregação cautelar dele é imprescindível para a conclusão da investigação, no sentido da adoção de meios probatórios à elucidação correta do fato.