Hoje é o Dia do Abraço; mesmo em tempos de isolamento, contato humano é fundamental

Você sabia que no dia 22 de maio é comemorado o Dia do Abraço? A origem da data remonta ao ano de 2004, quando o australiano Juan Mann viralizou na internet com uma campanha que oferecia “abraços grátis” nas ruas de Sidney, cidade mais populosa de seu país. Desde então, a iniciativa vem sendo seguida em diversos países, como Portugal, Espanha e Brasil.

Desde o ano passado, no entanto, a pandemia da Covid-19 impôs uma dificuldade à iniciativa: a impossibilidade do contato físico. Em tempos tão sombrios, é certo que os abraços ajudariam muito a todos nós, mas eles precisaram ser substituídos por outras demonstrações de afeto.

Para saber mais, o Melodia News ouve hoje Henrique Santos de Souza, cofundador e porta-voz da Eurekka, empresa especializada em saúde e bem-estar, considerada uma das principais startups em atendimento psicoterápico no Brasil e pioneira na adoção de Inteligência Artificial na área de psicologia no país.

Confira como foi a conversa:

Você pode falar um pouco sobre a Eurekka e sua missão?

Henrique Santos de Souza:
A Eurekka é uma empresa que usa a tecnologia para destravar a saúde física e mental das pessoas. Além de ser hoje a maior clínica de terapia online do Brasil, a Eurekka também oferece telemedicina, publica livros de saúde mental e tem uma rede de franquias no Brasil inteiro. A grande missão da Eurekka é destravar o potencial humano que está travado pela falta de saúde e de significado.

O debate sobre saúde mental tem ganhado cada vez mais espaço no Brasil e no mundo. Você acredita que nós estejamos mudando a maneira de encarar o assunto, derrubando o estigma que ainda existe?

Sim. Vivemos, com certeza, na época mais tolerante e menos estigmatizada quando o assunto são transtornos mentais. Isso não significa que não haja preconceito, mas que nunca houve tão pouco. O problema é que falar de saúde mental não é suficiente - as pessoas precisam aprender a cuidar da saúde mental de forma prática, sem clichês nem pseudociências. Começar a falar, no entanto, já é um bom passo.

Falando sobre a realidade atual da pandemia, qual pode ser o impacto das sensações de solidão e abandono para uma pessoa? Isso contribui para doenças como depressão e transtornos de ansiedade?

A solidão é uma das maiores causas de depressão do nosso tempo. Há pesquisas mostrando que ser rejeitado ou se sentir excluído, como ocorreu com muitas amizades na pandemia, ativa as mesmas regiões do cérebro que uma dor física intensa. Sentir-se deslocado, rejeitado ou humilhado é como uma pancada violenta no seu cérebro - apesar de, é claro, algum nível de rejeição ser normal e natural da vida. Antes da pandemia, a internet já vinha nos afastando - nos fazendo vestir máscaras e agir como membros de uma massa anônima. A pandemia só adicionou mais um acelerador ao processo.

O contato físico durante a pandemia ficou muito impossibilitado, mas como nós podemos fazer com que as pessoas que nós gostamos se sintam abraçadas e acolhidas nesse momento?

O contato físico está reduzido, mas nem todo o contato humano precisa ser físico. Um dos contatos mais íntimos entre dois seres humanos é uma conversa 100% atenta e presente - quando sua avó conta uma história de infância e você presta total atenção, por exemplo. Ou quando você faz uma videochamada com sua melhor amiga e conta algo difícil que está acontecendo com você. A profundidade do contato humano tem muito a ver com a disposição das pessoas à concentração e à exclusividade - ou seja, que você só esteja fazendo aquilo, com atenção plena no outro. Isso já era um problema antes da pandemia, porque já éramos viciados em telas. Agora, só ficou mais óbvio.

Em tempos de isolamento, também se fala muito sobre o autocuidado. Existem hábitos ou atitudes que nós podemos adotar para nos mantermos mentalmente saudáveis?

Sim, certamente. Com o isolamento mantendo você em casa e a tecnologia mantendo você sentado e parado, fique muito atento para fugir do sedentarismo. O sedentarismo é um dos grandes fatores de risco para doença mental. Pessoas que não se movimentam ficam ansiosas, deprimidas e perdem o ânimo básico da vida. Nós somos corpo e mente integrados, não só uma mente "presa" num corpo ou coisa assim; ou seja, se o seu corpo está sedentário e sua alimentação está péssima, a saúde mental também paga o preço. Faça exercícios em casa, nem que sejam dez minutos por dia, e fuja das comidas refinadas e hipercalóricas. Nosso corpo precisa ser cuidado.