Pazuello volta hoje à CPI da Pandemia, após declarar que Brasil não é obrigado a seguir a OMS

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia volta a ouvir hoje o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Ontem a sessão precisou ser interrompida, depois que Pazuello passou mal no intervalo da reunião. O general teve uma queda de pressão e foi atendido pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico. O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), decidiu retomar a reunião apenas hoje (20), às 9h30.

Na lista, ainda há 23 senadores inscritos para fazerem perguntas a Pazuello.

O ex-ministro disse ontem à CPI da Pandemia que o Ministério da Saúde não era “obrigado a seguir nenhum tipo de orientação” da Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Nós não somos obrigados a seguir nenhum tipo de orientação de OMS ou de ONU ou de lugar nenhum. Nós somos soberanos”, afirmou o general.

“As organizações como a OMS, Opas [Organização Pan-Americana da Saúde] […] estavam presentes diariamente conosco no ministério e elas basicamente não impõem. A OMS e a Opas não impõem nada para nós. Nossa decisão é plena, o Brasil é soberano para tomar suas decisões em qualquer área, inclusive saúde”, acrescentou.

Pazuello ainda citou as incongruências nas posições da OMS. De acordo com ele, as recomendações da entidade não eram contínuas e, ainda assim, foram usadas para “amparar o processo decisório” da pasta.

“As posições da OMS, como colocou o ministro Ernesto [Araújo, ex-chanceler], como nós acompanhamos, eram posições que iam e vinham, não eram posições contínuas, pela própria incerteza da situação. Então, nós usávamos as posições da OMS para amparar o nosso processo decisório”, declarou.

O ex-ministro também negou que tenha assumido a pasta sob a condição de seguir ordens do presidente da República, Jair Bolsonaro, de recomendar o chamado “tratamento precoce” para a covid-19, que inclui medicamentos sem comprovação científica como a hidroxicloroquina. “Em hipótese alguma. O presidente nunca me deu ordens diretas para nada”, garantiu.

Pazuello acrescentou que foi nomeado por Bolsonaro para “fazer as coisas andarem o mais rápido possível” e que a missão era “trocar a roda do carro com o carro andando”. Sobre sua experiência para assumir o ministério, Pazuello lembrou as funções que exerceu ao longo da carreira, entre elas, o comando de hospitais de campanha, como na Operação Acolhida, na fronteira com a Venezuela. "Sobre gestão e liderança, acho que nem preciso responder. É como responder se a chuva molha. Todo militar tem isso", disse.

 


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