Globo mostrou justiçamento na década de 1990

Na última semana, parte da imprensa repudiou a informação dada pelo presidente Jair Bolsonaro de que a morte de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, teria sido causada por “justiçamento da esquerda” e não por militares. No entanto, o tema que, pela reação da maioria, parecia novo para muitos já foi tema do programa Fantástico, da Rede Globo, na década de 1990.



Um vídeo com a reportagem sobre o justiçamento, prática em que militantes julgam e eliminam pessoas traidoras de movimentos revolucionários, passou a circular esta semana em vários perfis de direita nas redes sociais. A reportagem do Fantástico, apresentada a época por Pedro Bial e Cláudia Cruz, mostra como militantes de esquerda assassinavam quem consideravam “traidores”.



Nela aparecem os ex-presidentes Lula da Silva e Dilma. E mostra o caso de Salatiel Teixeira Rolim, o “Chinês”, acusado de roubar o partido comunista e delatar companheiros, como provável última ação de justiçamento promovida por grupos guerrilheiros que atuaram no Brasil nas décadas de 1960 e 1970. Saltatiel teria sido julgado e condenado por um tribunal revolucionário. A sentença teria sido cumprida, segundo o Fantástico, na manhã do dia 22 de julho de 1973.



Carlos Eugenio Sarmento, ex-líder guerrilheiro, foi um dos ouvidos pela reportagem da época. Ele morreu recentemente, no dia 29 de junho. Sarmento foi membro da Ação Libertadora Nacional (ALN) e declarava ter participado de assaltos a bancos, mandatos de assassinatos e se exilou em Cuba. Sua primeira “missão”, aos 15 anos, foi matar um soldado do Exército. Foi ele também o autor do disparo que matou Henning Boilesen, executivo dinamarquês que financiava as ações do DOI-CODI, órgão do Exército de repressão contra dissidentes.



Quando retornou ao Brasil, ao final da década de 1980, Sarmento disse ter trocado as armas pelas palavras, se tornando escritor e palestrante.