França proíbe uso da linguagem de gênero neutro

O Ministro da Educação Nacional, Juventude e Esportes da França, Jean-Michel Blanquer, proibiu o uso linguagem de gênero neutro em todas as escolas do país, que é considerado um dos mais progressistas de todo o mundo. Ele indicou que a linguagem não deve ser danificada e no dia 6 de maio, publicou uma circular no Boletim Oficial do Estado em que argumenta que este tipo de escrita “constitui um obstáculo à leitura e compreensão da escrita.”

No documento, Jean-Michel Blanquer se dirige aos reitores da academia, aos diretores da administração central e aos funcionários do Ministério da Educação Nacional e observa que “o uso da chamada escrita inclusiva, que notavelmente usa o ponto médio para revelar simultaneamente as formas femininas e masculinas de uma palavra usada em masculino quando usada em um sentido genérico, deve ser proibido, conforme relatado pelo jornal francês Le Figaro.

Além disso, o ministro acrescentou que “é um obstáculo para a leitura e compreensão da escrita“. E acrescentou que “a impossibilidade de transcrever textos verbalmente com esse tipo de escrita dificulta a leitura em voz alta e a pronúncia e, consequentemente, o aprendizado, principalmente das crianças”.

Blanquer também enfatizou que a linguagem de gênero neutro “pode ​​impedir que crianças com certas deficiências ou problemas de aprendizagem tenham acesso ao Francês”.

Apesar da proibição, o ministro de estado promove a feminização das profissões. “A escolha de exemplos ou afirmações em uma situação de ensino deve respeitar a igualdade entre meninas e meninos, tanto pela feminização dos termos quanto pela luta contra as representações estereotipadas“.

Polêmica


Nos últimos anos, a linguagem de gênero neutro tornou-se um dos tópicos de debate em torno da Real Academia Espanhola (RAE), instituição cultural de regularização linguística que desde 1713 dita as regras da língua espanhola.

Esse debate tem sido discutido em diversos países, como também o Brasil.

Por aqui, algumas marcas passaram a adotar esse tipo de linguagem, ignorando as normas oficiais da gramática e ortografia brasileiras, para agradar pessoas que se dizem assexuadas ou que se identificam com os dois gêneros.

Em novembro de 2020, foi lançado o Projeto de Lei 5248/20 que proíbe o uso da “linguagem neutra” na grade curricular e no material didático de instituições de ensino públicas ou privadas no ensino da língua portuguesa no ensino básico e superior. A proposta inclui a vedação em documentos oficiais dos entes federados, em editais de concursos públicos, assim como em ações culturais, esportivas, sociais ou publicitárias que percebam verba pública de qualquer natureza.

O texto determina que o aprendizado da língua portuguesa seja feito de acordo com a norma culta, com as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), com o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) e com a grafia fixada no tratado internacional vinculativo do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa.

Pelo projeto, a violação dessa regra poderá acarretar sanção às instituições de ensino e aos profissionais de educação.

O autor da proposta, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), afirma que há uma tentativa forçada de modificação da Língua Portuguesa, com o discurso de democratização da linguagem.