Dia das Mães: o relacionamento com os filhos durante a pandemia Pelo segundo ano seguido, o Dia das Mães é comemorado durante a pandemia da Covid-19. Uma das datas mais importantes do calendário brasileiro, é novamente celebrado em casa ou em pequenas reuniões. E as mães, que na maioria dos casos são as que acumulam as tarefas domésticas e a criação dos filhos, vivem mais uma data celebrando e refletindo sobre esse período desafiador da história da humanidade. 

Dividir o mesmo espaço, mesmo com quem se ama, 24 horas por dia, não tem sido nada fácil. As famílias precisam de regras e paciência para não abalar a relação mães e filhos, já que a rotina dentro de casa, há mais de um ano, teve que ser refeita, como detalha o psicólogo Marcelo Alves, professor de psicologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.

“A rotina teve que ser reinventada tendo em vista que você tem num mesmo espaço: escritório, lar, creche, escola, casamento, filhos, profissão. A rotina foi atravessada por inúmeros fatores, alguns externos, como o home office, então isso afeta a relação familiar, tendo em vista que às vezes a criança não entende que o pai e a mãe estão num escritório e a criança quer atenção mesmo tendo os pais ali”.

E em especial, a mulher acabou nesse momento tendo preocupações adicionais. “Levando-a a ter que se desdobrar e reinventar a rotina familiar”, disse o psicólogo. “Por um lado há uma aproximação muito grande. Agora a escola também está dentro de casa, e a mãe também tem que dar condições nesse sentido de dar uma saúde mental minimamente protegida, já que a criança perdeu muito seus espaços de brincar”.

Rotina evita estresse
O psicólogo Marcelo Alves orienta a ter muito diálogo e a determinação de uma rotina para manter o equilíbrio das relações nesse período, sem data para terminar. “Manter uma rotina ajuda muito nas relações porque diminui o estresse. As relações, para serem equilibradas, a gente tem que atender as necessidades que cada um apresenta, é um ponto importante a ser negociado, cada uma terá em um momento do dia necessidades que deverão ser atendidas, e essas necessidades deverão ser negociadas”. 

Marcelo Alves defende que a organização ajuda muito nas relações. “Negociar, discutir, e principalmente organizar, ajuda muito no equilíbrio das relações. Mas, lógico, percebendo um estresse mais elevado, uma ansiedade exagerada ou mesmo episódios melancólicos e depressivos deve-se pedir ajuda, ter atendimento, porque hoje você pode ter atendimento por profissionais da psicologia e da psiquiatria online, são coisas que também vão ajudar no equilíbrio das relações”, aconselha.

Como nossos pais 
Mesmo com tantas mudanças nas relações, o psicólogo aconselha aos adolescentes e às crianças a aproveitarem o momento. “É natural que você viva o seu mundo, e esse mundo tem que ser dividido com seus pais, mas procure entender que o seu mundo não será invadido, mas deverá ser repensado”, aconselha o especialista, que lembra que o adolescente ou mesmo a criança mais velha já vivem o isolamento no quarto e nas amizades. 

“Eu diria que, com a proximidade, curta mais o seu pai e a sua mãe, afinal de contas estamos passando por um momento que é muito dramático para muitas famílias. Talvez o adolescente e a criança mais velha não queiram ter contato com tudo isso que está acontecendo, mas saiba que a vida é finita e esse momento que está sendo propiciado de proximidade ele deve ser vivido”. 

Mas, para uma boa convivência, coisas do dia a dia precisam ser negociadas, aconselha. “Cozinhar juntos, fazer uma tarefa, jogar videogame juntos, divida um pouco do seu mundo com seus pais, mas também saiba estar e entender o mundo deles, principalmente o mundo da mãe que nesse momento tem dado conta de tantas coisas, saiba também olhar a preocupação que ela tem com você e as coisas do dia a dia”.

“Aproveite bem esse momento, apesar de dramático, não precisa ser triste, tendo que dividir espaços dentro da casa. Conflitos são inevitáveis, mas não permita que eles separem você de sua mãe num momento onde famílias foram separadas drasticamente [pela doença]”, finaliza o professor.