Rio começa a aplicar vacina da Pfizer

A cidade do Rio de Janeiro iniciou nesta terça-feira (04) a vacinação contra a covid-19 com as doses da fabricante norte-americana Pfizer. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) recebeu 46,8 mil doses na noite desta segunda-feira e, seguindo a orientação do Ministério da Saúde, destinou todo o lote à capital do estado.

Com isso, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) começa a aplicação da primeira dose na Clínica da Família Estácio de Sá, no Rio Comprido, zona norte da cidade, seguindo o cronograma dos grupos prioritários.

De acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), a vacina contra a covid-19 será aplicada em pessoas com comorbidades, gestantes e puérperas e pessoas com deficiência permanente.

O intervalo entre a primeira e segunda doses da vacina da Pfizer é de 12 semanas. O imunizante precisa ser armazenado entre -25ºC e -15ºC, podendo ficar até cinco dias sob uma temperatura entre 2ºC e 8ºC.

Intervalo

O Ministério da Saúde orientou, em documento divulgado nesta segunda-feira, 3, que as duas doses da vacina da Pfizer sejam aplicadas com um intervalo de doze semanas. Esse, entretanto, não é o período recomendado pela Pfizer — em janeiro, o laboratório afirmou que só pode garantir a eficácia da vacina se ela for aplicada com 21 dias de espaçamento.

O intervalo sugerido pela fabricante é o mesmo defendido pela Organização Mundial da Saúde. A entidade admite uma ampliação para, no máximo, até 42 dias.

Para justificar a decisão, o Ministério da Saúde informou que adota o mesmo intervalo usado no Reino Unido, que ampliou o prazo com base em estudos que constataram que o imunizante confere um certo nível de proteção mesmo com apenas uma dose. Um dos estudos apontou para 80% de efetividade da vacina na redução do risco de hospitalização com apenas uma dose em idosos de 70 anos ou mais.

De acordo com o infectologista Renato Kfouri, a decisão da pasta é correta.

“A eficácia da vacina foi baseada em evidências de países que já utilizam, como o Reino Unido, um intervalo maior. Ela também envolve questões logísticas. Nós armazenarmos uma vacina por longos períodos, como três ou quatro semanas, considerando a instabilidade térmica, dá risco maior para perdas por questões de temperatura.”

Uma segunda pesquisa, publicada na revista científica The Lancet, apontou que a vacina reduziu em 75% a transmissão do coronavírus e em 85% dos casos sintomáticos de Covid-19 menos de um mês após a aplicação da primeira dose. Um terceiro estudo mostrou, ainda, que a transmissão da doença cai pela metade com apenas uma dose das vacinas da Pfizer ou da AstraZeneca/Oxford.


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