Proteção Alopsíquica “O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre” (Salmo 121:8)
Quando avaliamos a orientação de uma pessoa, dividimos esta na capacidade de o indivíduo situar-se quanto a si mesmo e quanto ao ambiente ao seu redor; a primeira chamamos de autopsíquica e a segunda alopsíquica.

A orientação alopsíquica, por sua vez, pode ser analisada na orientação do indivíduo em relação ao lugar (orientação espacial) e a orientação do indivíduo em relação ao tempo (orientação temporal).

A proteção do Senhor para conosco é alopsíquica. Ele nos guarda espacialmente: “saída e entrada”; e, temporalmente: “agora e para sempre”.

Entretanto, isso é estranho. Como haver continente para aquele que é Espírito e como haver temporalidade para o atemporal? Espaço e tempo são limitações humanas, visto que nem as leis da física estão limitadas a elas. O que dizer então daquele que é infinito? Necessariamente ilimitado.

Como conectar Deus ao homem, o Criador à criatura? Não é nem que Deus não queira, mas Ele vai fazer o que? Acaso sua infinidade caberia em nós? Claro que não! Ora, se Ele muito nos quer, Ele tem que (imperativo categórico) se afastar de nós; senão Ele vai nos explodir. Como por o Fôlego de Vida em balões murchos como nós?
Boom! Explodimos.

Mas existe um conector entre tudo isso, uma palavra que conecta a “impossibilidade” da ilimitação para com o limitado: Amor!

Porque Deus nos ama tanto, que se fez pequeno, pequenino, ínfimo, o mínimo necessário para caber em nossos corações. Corações estes que, pelo passar do tempo e espaço, criaram queloides internos, jamais vistos ou mencionados, que ainda mais limitaram o nosso átrio cardíaco. Mesmo assim, Ele se apequenou a esse ponto para aqui, em nós, em nosso peito, adentrar. Dos corações pulsantes apaixonados, aos corações parados infartados, Ele se fez cabível.

E o infinito habitou o mais apertado espaço: nós. O supremo momento instantâneo: nós.
Tudo passará, espaços e tempos, saídas e entradas, agora e sempre. “Mares, montanhas e horizontes”, possibilidades desperdiçadas e doloridas, como outras aproveitadas e alegres, carpe diem e inutilia truncat, consolos e lágrimas. Mas este amor, o verdadeiro e único Amor, jamais passará.

De coração, não direi que você precisa de proteção, você que aprendeu a proteger-se a si mesmo (a); isso é inegável, caso negado fosse, aqui você não teria chegado. Mas você chegou, protegendo-se. Contudo, sua proteção não é para sempre, nem em todos os lugares; e você sabe disso, suas marcas te obrigam a concordar. Ainda assim, Jesus, o Completo hoje, pede para compor sua incompletude. Por quê? Porque Ele te ama. Aqui e lá, hoje e para sempre.

“Nisto consiste o amor: não que tenhamos amado a Deus, mas que Ele nos amou e enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. E nós temos visto e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. Aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele, em Deus. E nós conhecemos e cremos que Deus tem amor por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele. No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo.”

Pr. Niger Martins e Dr. Yehudi Martins (Médico/Psiquiatria)

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