Grávidas com comorbidade podem se vacinar em postos da cidade do Rio Mulheres grávidas que têm comorbidade já podem se vacinar contra a Covid-19 em um dos postos indicados pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Para receber a primeira dose, elas devem comprovar, por meio de laudo médico, que possuem uma das doenças listadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Para gestantes que não tenham comorbidades, mas façam parte de algum dos outros grupos prioritários incluídos no calendário de vacinação, a orientação do PNI é para que seja realizada a avaliação dos riscos e benefícios da vacina, principalmente em relação à atividade desenvolvida pela mulher.

As grávidas devem ser informadas sobre os dados conhecidos de eficácia e segurança das vacinas e sobre a ausência de alguns dados relacionados. E também sobre os riscos potenciais da infecção pelo coronavírus, para que assim possam tomar uma decisão esclarecida sobre a vacinação.

Maior risco
Numa coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira (16), o secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Raphael Câmara, recomendou que casais posterguem, se possível, os planos de gravidez em alguns meses em razão do agravamento da pandemia.

Desde que o coronavírus começou a se espalhar e virou uma preocupação mundial, os especialistas acompanham os efeitos que o agente infeccioso poderia ter nas gestantes.

Após um período de muita incerteza e dados desencontrados, ficou claro que grávidas com covid-19 apresentavam maior risco de agravamento e necessidade de intubação quando comparadas às mulheres da mesma idade que não esperavam filhos.

Um estudo publicado em setembro de 2020 no British Medical Journal calculou que gestantes infectadas com o coronavírus tinham um risco 62% maior de internação em UTI e 88% mais probabilidade de necessitar de ventilação mecânica invasiva.

O trabalho, liderado pela Universidade de Birmingham, no Reino Unido, reuniu dados de 11 mil grávidas com suspeita ou confirmação de covid-19 que precisaram ser internadas por qualquer motivo.

Os dados delas foram confrontados com os de outras mulheres da mesma faixa etária que também buscaram atendimento médico, mas não esperavam um bebê.

Um outro estudo, feito pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, encontrou números parecidos: as mulheres grávidas americanas com covid-19 apresentavam um risco 1,5 vezes maior de ir para a UTI e 1,7 vezes superior de necessitar de ventilação mecânica.

"Um fator que ajuda a explicar esse maior risco tem a ver com a diminuição da capacidade respiratória, especialmente no terceiro trimestre de gestação. O crescimento do útero restringe o abdômen e o tórax", explica o infectologista Ruan de Andrade Fernandes, do Hospital e Maternidade Brasil, da Rede D'Or São Luiz, em São Paulo.

Portanto, a covid-19 poderia somar uma dificuldade extra aos pulmões e levar a um quadro mais grave, que exige maior cuidado.

"Também já sabemos que a covid-19 aumenta o risco de parto prematuro", acrescenta a infectologista Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Por ora, apesar de todas as complicações, os trabalhos publicados mundo afora não encontraram uma maior mortalidade pela covid-19 em mulheres grávidas.