Igreja Católica da Polônia se mantém firme contra o avanço gay A Igreja Católica polonesa abraçou a política antigay que se tornou o tema dominante do governo do país nas últimas semanas.

Em sermão proferido nesta quinta-feira (01), o arcebispo de Cracóvia, Marek Jedraszewski , descreveu a Polônia como sitiada por uma “praga arco-íris” de ativistas pelos direitos dos homossexuais que comparou ao antigo governo comunista do país.

“Nossa terra não está mais atingida pela praga vermelha, o que não significa que não há outra que queira controlar nossas almas, corações e mentes”, disse durante a missa na Basílica de Santa Maria, construção medieval que é um dos principais templos católicos para os poloneses, relatou a emissora privada polonesa TVN24. “Não é (uma praga) marxista, bolchevista, mas nascida do mesmo espírito, neo-marxista. Não vermelha, mas do arco-íris”.

Robert Biedron, político polonês abertamente gay do partido progressista Wiosna, criticou o sermão.

“Já tínhamos pessoas assim, políticos, que usaram palavreado similar. Isto é uma incitação ao crime, ao ódio”, afirmou ao site de notícias polonês wirtualnapolska.pl.

Às vésperas de eleições parlamentares marcadas para outubro, o partido governista PIS vem descrevendo os direitos da população LGBT como uma campanha estrangeira para minar os valores nacionais de uma Polônia ardentemente católica.

A questão transbordou para as ruas em julho, quando milhares de manifestantes promoveram um quebra-quebra na pequena cidade de Bialystok para impedir a realização da primeira parada do orgulho gay da localidade. Vídeos mostram os manifestantes antigay, que superavam em muito os participantes da parada, perseguindo pessoas nas ruas e as espancando. Trinta pessoas acabaram presas.

Alinhada à Igreja Católica e ao governo, uma revista conservadora distribui adesivos com os dizeres “zona livre de LGBTs” na semana passada, e várias pequenas cidades se declararam “livres de LGBTs”.

Diferentemente de muitos países ocidentais, que legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção de crianças por casais gays nos últimos anos, as ex-nações comunistas que estão na União Europeia se mantêm firmes em seus princípios para impedir o avanço gay. Casamento entre pessoas do mesmo sexo e adoções por elas continuam ambos ilegais na Polônia.

A Igreja Católica tem grande influência na Polônia, e foi um foco de resistência aos governos comunistas por décadas. Um dos predecessores de Jedraszewski como arcebispo de Cracóvia, o para polonês dos tempos da Guerra Fria João Paulo II, é um dos mais amados heróis nacionais.