Justiça investiga morte de ativista após aborto legal na Argentina María del Valle González López tinha 23 anos estudava Serviço Social na Universidade Nacional de Cuyo, e era presidente da Juventude Radical de La Paz, na província de Mendoza (Argentina). Há uma semana ela morreu após se submeter a um aborto legal em um hospital local. Foi a primeira morte registrada no país depois da aprovação da lei do aborto em 30 de dezembro passado.

O jornal argentino Clarín afirma que a investigação sobre a morte de María del Valle começou na Promotoria de Santa Rosa, mas por sua complexidade seguiu para a Promotoria de San Martín na segunda-feira.

Ainda não há data para a divulgação dos resultados da autópsia.

Segundo o Clarín, a jovem dirigiu-se na quarta-feira, 7 de abril, ao hospital Arturo Illia, na cidade de La Paz, "para solicitar um procedimento de interrupção legal" da gravidez, termo usado para se referir ao aborto.

“Lá, prescreveram um medicamento e na sexta-feira ela começou a se sentir mal. Ela foi encaminhada ao principal centro de saúde da zona leste de Mendoza, o hospital Perrupato, onde diagnosticaram uma infecção geral que causou a sua morte”, relata o Clarín.

A líder pró-vida Guadalupe Batallán escreveu em seu Twitter que “María del Valle tinha 23 anos e tinha uma vida inteira pela frente. Era estudante e se tornou presidente da juventude radical de Mendoza. Ela abortou legalmente e morreu no fim de semana. Eu vou contar para vocês porque as feministas ficam quietas. #MorreuPorAbortoLegal”.
“Se María tivesse morrido na clandestinidade, as feministas estariam destruindo a cidade inteira, mas como María #MorreuPorAbortoLegal e isso não lhes convém, ignoraram”, escreveu Belén Lombardi, uma jovem mãe e ativista pró-vida.

Assim que se soube de sua morte, vários ativistas e grupos pró-vida na Argentina inundaram as redes com as hashtags #MurióPorAbortoLegal (#MorreuPorAbortoLegal,  em português) e #AbortoLegalMataIgual.

Martín Zeballos Ayerza, da organização Advogados pela Vida na Argentina, disse à ACI Prensa que a jovem "era uma garota muito conhecida porque era membro da União Cívica Radical, partido histórico na Argentina".

O partido, "embora tenha em sua carta de princípios o direito à vida, foi capturado pelo progressismo, especialmente na Universidade de Buenos Aires", onde há muitos "radicais verdes abortistas”.
“De Rosário ao sul”, disse Zeballos, “a maioria dos radicais é abortista. De Córdoba ao Norte, os radicais são pró-vida. Pode-se dizer, em geral, que os radicais nas grandes cidades são progressistas e os radicais nas cidades do interior são pró-vida”.

A senadora Silvia Elías de Pérez, de Tucumán, da União Cìvica Radical, votou em agosto de 2018 “a favor das duas vidas” e contra a lei do aborto.

“O comitê radical tem em Buenos Aires um lugar onde estão os quadros de grandes dirigentes mulheres do partido. Após a votação de Pérez, retiraram o quadro de Silvia por ter votado a favor da vida. Deixou de ser dirigente notável por defender a vida a partir da concepção”.
“Isso mostra a luta e as contradições internas. O radicalismo faz parte de Juntos pela Mudança que fazia parte do governo do ex-presidente Mauricio Macri. Hoje dizem que são oposição, mas na realidade são a primeira minoria progressista”, concluiu Zeballos.