Eduardo Bolsonaro diz que policial foi morto em Salvador porque não queria prender trabalhadores A morte do soldado Wesley Soares, confirmada hoje (29) pela Polícia Militar da Bahia, causou reação de lideranças de entidades que representam os policiais militares. Um grupo de PMs - ligados à Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra-BA) - que se concentrou em frente ao Hospital Geral do Estado (HGE), convocou uma assembleia para esta segunda-feira (29), no Farol da Barra, local onde o militar foi baleado após ter um surto psicótico.

Em um vídeo que circula nas redes sociais, o deputado estadual Soldado Prisco (PSC), ao lado de policiais militares sem farda, lidera o movimento. A convocação tem como objetivo avaliar o caso do soldado Wesley Soares, de 38 anos, lotado na 72ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Itacaré).

No vídeo, Prisco convoca os policiais militares de Salvador e Região Metropolitana para o protesto no Farol da Barra e os agentes do interior do estado devem se reunir em um local da cidade para assembleia em conjunto.

O comandante-geral da Polícia Militar da Bahia (PMBA) confirmou, nesta segunda-feira (29), a morte do policial militar Wesley, morto após efetuar disparos contra guarnições da PM durante um surto psicótico no domingo (28). Segundo Paulo Coutinho, um inquérito será instaurado para investigar os procedimentos adotados pela corporação na contenção do PM.

Durante a coletiva de imprensa, o comandante também rebateu as críticas de que a operação teria sido conduzida de forma "desproporcional" e afirmou que os policiais envolvidos só efetuaram os disparos quando tiveram suas vidas postas em risco pela ação do soldado.

O policial invadiu com um carro particular as barreiras que isolavam o Farol da Barra e fez disparos para o alto com um fuzil. Depois de quase quatro horas de negociação, a PM teria revidado alguns disparos, que atingiram o soldado. Ele foi socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, Wesley alternava momentos de lucidez com acessos de raiva, acompanhados de disparos. Além dos tiros de fuzil, o soldado arremessou grades, isopores e bicicletas no mar.

Segundo a nota do órgão, aproximadamente às 18h35, o soldado verbalizou que havia chegado o momento, fez uma contagem regressiva e iniciou os disparos contra as equipes do Bope.

Nas redes sociais circulam vídeos do episódio. Em um deles é possível ver o momento em que o policial atira contra os colegas e recebe o revide. O disparo por pouco não atingiu um dos policiais que tentavam negociar a rendição. Wesley era lotado na 72º Companhia Independente de Polícia Militar (72ºCIPM) de Itacaré.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) usou seu perfil no Twitter para comentar a morte do soldado. Segundo o filho do presidente, Wesley foi morto porque achava que “prender trabalhador é a maior punição” de um “vocacionado em combater o crime”, escreveu Eduardo. “Esse sistema ditatorial vai mudar. Protestos pipocam pelo mundo e a imprensa já não consegue abafar. Estão brincando de democracia achando que o povo é otário”, comentou, em crítica às medidas de isolamento social decretadas na Bahia para contenção do coronavírus.

A presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, deputada Bia Kicis (PSL-DF), também usou o Twitter para comentar o caso. Bia se referiu ao policial como "soldado herói" por ter se recusado a "cumprir ordens ilegais" do governador Rui Costa e "prender trabalhadores". A deputada apagou a postagem horas depois, após a repercussão negativa do tuíte.