Decreto do Rio determina igualdade em premiações no esporte para homens e mulheres A  distinção  de  premiações  entre  homens  e mulheres em eventos esportivos na cidade do Rio de Janeiro nos quais  sejam utilizados  recursos  do  município não será mais permitida. Por meio de um decreto, a Prefeitura proibiu tal diferenciação nas competições  organizadas  pela  Secretaria  Municipal de Esportes (SMEL), que será responsável pela fiscalização e eventuais punições.

A igualdade em premiações no esporte é uma reivindicação antiga. Muitas competições oferecem valores mais altos para os homens, o que normalmente gera mal-estar e críticas por parte das  atletas.

O  descumprimento  desta  nova  norma  pode ser denunciado à Secretaria de Esportes por qualquer pessoa. Há três penalidades previstas:

1 – Advertência, com notificação para fazer a correção, antes da realização do evento;
2 – Devolução, em dez dias, do valor dos recursos públicos do município, sob pena de inscrição do débito em Dívida Ativa;
3 – Proibição de realizar outra competição em parceria com a prefeitura por até um ano.

Atletas já manifestaram sua satisfação com a mudança, que elas julgam ser necessária ao Brasil e o mundo.

“É uma medida superimportante na busca por igualdade. Isso deveria acontecer de forma orgânica, mas como sabemos do atraso de nossa sociedade em relação a certas pautas, principalmente quando falamos de gênero, medidas como essa são fundamentais nessa luta”, comentou Fabi Alvim – ex-jogadora da seleção brasileira de vôlei e bicampeã olímpica.

“Graças a Deus, eu ajudei a vencer essa batalha no triathlon faz tempo. Desde os anos 80 e 90, me recusava a participar de provas em que a premiação masculina e feminina fosse diferente e obrigava os organizadores a respeitarem a categoria profissional feminina. Há tempos, a premiação é a mesma. Isso não é nenhum favor, prêmio ou reconhecimento. É sim um direito conquistado com o nosso profissionalismo e eficiência”, disse Fernanda Keller (foto) – triatleta com o maior número de títulos he recordes no Ironman, considerada a prova mais difícil do triátlon.

“Essa atitude já deveria ser aplicada há muito tempo. Não faz o menor sentido ter essas diferenças. As mulheres atletas ralam tanto quanto os homens e ainda algumas são mães, cuidam da casa, e conciliam tudo”, lembrou Mari – campeã olímpica com a seleção brasileira de vôlei nos Jogos de Pequim, em 2008.