Xuxa se desculpa por defender testes científicos em presos


Em uma live no Instagram da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) sobre direitos dos animais, Xuxa defendeu que produtos como cosméticos e remédios sejam testados em prisioneiros, ao invés de animais. Após a declaração, a apresentadora recebeu uma enxurrada de críticas, chegando a figurar entre os assuntos mais comentados do Twitter. 

"Eu tenho um pensamento que pode parecer muito ruim para as pessoas, desumano... Na minha opinião, existem muitas pessoas que fizeram muitas, muitas coisas erradas e estão aí pagando pelos seus erros num ‘ad eternum’, para sempre em prisões. Poderiam ajudar nesses casos", disse na live. Ela ainda acrescentou: "Pelo menos serviriam para alguma coisa antes de morrer, para ajudar a salvar vidas".

Empolgada com o discurso, Xuxa prosseguiu. “Aí vai vir um pessoal dos Direitos Humanos e dizer que 'não, eles não podem ser usados'. Mas acho que se são pessoas que está provado que irão passar 60 anos na cadeia, 50 anos na cadeia e que irão morrer lá, acho que poderiam usar ao menos um pouco da vida delas para ajudar outras pessoas. Provando remédios, vacinas, provando tudo nessas pessoas”. E concluiu: "Essa é a minha opinião: já que vão morrer na cadeia, que pelo menos sirvam para ajudar em alguma coisa". 

Imediatamente internautas reagira contra as declarações da artista.

“Josef Mengele foi um médico nazista responsável por selecionar os prisioneiros do campo de concentração em Auschwitz que iriam ser mortos  na Câmara de gás. Ele também foi responsável por fazer exatamente o que Xuxa sugere”, tuitou @marçonaobasta

“A fala da Xuxa é o mais grosso suco do veganismo liberal: ser contra testar remédios e vacinas em animais então bora testar em SERES HUMANOS presos. Uma ideia completamente supremacista, eugenista, punitivista e darwinista social. Espero que ela repense e veja os problemas nessa fala”, dizia mais um tuíte.

“Vocês têm consciência de que esse pensamento é praticamente neonazista, né? Testar vacinas em presidiários pra se “der errado” a gente “não perde nada” é supremacista demais”, dizia outro comentário.

Na madrugada, a apresentadora pediu desculpas. "Eu estou aqui pedindo desculpas para todos vocês. Eu, que não usei as palavras corretas. Pensei uma coisa, pensei em muitas coisas?. Quis falar sobre muitos assuntos, e não fugir do assunto principal, que era dos animais, dos maus-tratos e de pessoas que fazem muitas coisas maltratando vidas. E também julguei, também maltratei", afirmou.

“O pedido de desculpas da Xuxa não foi por ter tido uma fala totalmente eugenista, por ser absurdo querer pessoas como cobaias. Pediu desculpas por ter se expressado mal, ter dito as palavras erradas. Aí me pergunto: quais são as certas pra falar sobre torturar humanos?”, argumentou @alamoju.

Acusada de racismo por alguns internautas, que argumentam que a maioria da população carcerária é composta por pessoas negras, Xuxa afirmou não ter pensado sobre a desigualdade racial. "Algumas pessoas usaram a expressão, que eu fui falando sobre raças, sobre negros, sobre presidiários negros e pobres. Mas não me passou nada disso pela cabeça. O que me passou foi uma pessoa que estupra uma criança que fica anos em um presídio e poderia pensar em ajudar as pessoas de outras maneiras. É errado? É errado. Me expressei mal?, me expressei mal", completou.

Ainda durante a live, Xuxa também se disse contra o aprisionamento de pássaros em gaiolas: "Eu sou da seguinte opinião: ninguém tem o direito de prender ninguém. É muito desumano isso". 

A apresentadora afirmou que usou produtos testados em animais por muito tempo, mas desde que virou vegana busca alternativas. Ela fez uma ressalva para o caso das vacinas, polêmico entre os veganos: "Posso não ser a favor, mas ao mesmo tempo eu entendo que é uma necessidade de vida ou morte, mesmo". 

O teste de remédios e cosméticos em seres humanos é polêmico, mas a boa notícia é que existem alternativas que não entram em choque com os direitos humanos: cientistas já conseguem recriar pele humana em laboratório e diversas marcas já priorizam a produção sem crueldade animal.