Esquiva Falcão: do ringue ao púlpito

Segundo medalhista olímpico do boxe brasileiro, Esquiva Falcão está prestes a disputar o cinturão dos pesos-médios. Antes, o capixaba terá pela frente o argentino Jorge Daniel Miranda. Uma vitória deixará o pugilista com um cartel de 23 vitórias em 23 combates, e perto da esperada chance de título mundial.



Mas a dedicação de Esquiva Falcão não tem sido apenas dentro do ringue. O lutador agora é pastor de uma igreja em Jardim América, em Vila Velha/ES, onde reside quando está no Brasil. A maior parte do tempo, ele passa em Los Angeles por causa dos treinos e das lutas. O atleta não consegue realizar os cultos com frequência, mas quando há espaço na agenda, vem ao Brasil e prega aos fiéis.



“Às vezes, fica um pouco apertado comparecer à igreja. Mas estou sempre orando, lendo a Bíblia, pedindo orientação e sabedoria. Quando fui batizado como pastor, quando a notícia se espalhou, os fiéis ficaram felizes porque conhecem a minha pessoa, sabem que tenho um coração enorme e quero sempre ajudar o próximo. Pretendo fazer mais para Deus, trabalhar mais e buscar a presença dele”, ao O Globo.



O brasileiro mantém uma rotina de orações em casa e antes dos combates, até mesmo pede bênçãos ao seu adversário, independentemente do que acontecerá no ringue.



“Eu acredito muito em Deus. Sempre faço as minhas orações antes das lutas para Deus cuidar de mim, do meu adversário, porque não estamos ali para discussão ou briga, mas pelo esporte, para cuidar da família. Isso mudou completamente, faz menos de um ano que me tornei pastor e é uma das maiores vitórias da minha vida”, diz.



Vitória é algo que sempre está na cabeça de Esquiva Falcão. Aliás, o medalhista olímpico já se imaginou disputando o cinturão mundial no Brasil, um sonho que pode acontecer em um dos próximos cinco eventos que a “Boxing For You” quer promover ainda em 2019 no Brasil. Flamenguista de coração, Esquiva gostaria de poder lutar pelo título no Rio, sua segunda casa, onde também treinou na comunidade do Vidigal, na Zona Sul do Rio antes de ganhar a prata em Londres 2012.



“Eu já me imaginei (lutando pelo cinturão). Já pedi a equipe para tentar fazer essa luta aqui e no Brasil, porque sei que o público é muito grande. Seria uma noite maravilhosa para o boxe, para mim, para minha família e para os fãs da nobre arte”, diz o medalhista de prata, que deseja dar um show no ringue.



A vida vitoriosa deixou para trás um passado sombrio, do qual Esquiva se lembra apenas para dar valor ao grande vencedor que hoje ele é, dentro e fora do ringue. Anos atrás a miséria e o tráfico foram os rivais desse atleta. Por cerca de seis meses, aos 17 anos, ele chegou a vender drogas e andar armado.



Ao lembrar do seu passado, Esquiva diz que aprendeu que “se pode fazer várias coisas importantes, ganhar dinheiro com várias coisas, vendendo coisas, ajudando ao próximo, mas, se você entrar no caminho errado, pode ser o seu fim”. Esquiva foi recuperado pelo treinador Raff Giglio que pagou a passagem dele do Espírito Santo para o Rio de Janeiro. Esquiva chegou a dormir nos colchonetes da academia, mas honrou a confiança do seu treinador e hoje vislumbra um futuro de ouro.