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Ateísmo em pauta no Vaticano

O Vaticano, coração da Igreja Católica, sedia esta semana a Understanding Unbelief, apresentada como a maior conferência mundial sobre ateísmo. O programa é organizado por quatro instituições acadêmicas, todas do Reino Unido. Na coordenação está a Universidade de Kent. E colaboram as universidades Conventry, Queen's e de Saint Mary.





O antropólogo Jonathan Lanman, diretor do Instituto de Cognição e Cultura e professor da Universidade Queen's Belfast disse à BBC News Brasil que "Este evento não se realizaria no Vaticano se não fosse por uma efeméride: trata-se do 50º aniversário de uma conferência semelhante realizada no Vaticano". O instituto é um dos organizadores do evento.





Ele contou que um dos pesquisadores entrou em contato com o Vaticano e então "eles concordaram em revisitar os temas da 'incredulidade'". Há 6 anos à frente da Igreja Católica, o Papa Francisco já demostrou não se opor aos ateus.





No início deste ano, por exemplo, ele disse que é melhor viver como ateu dos que ir à missa e nutrir ódio pelos outros. O relatório, publicado na terça (28), trouxe oito pontos-chaves para entender o fenômeno da não-crença no mundo:





1. Ateus - aqueles que não acreditam em Deus - e agnósticos - os que não sabem se existe Deus ou não, mas não acreditam que haja uma maneira descobrir - não são homogêneos. Eles aparecem em grupos diferentes nos países pesquisados. "Por conseguinte, há muitas maneiras de ser incrédulo", pontua o documento.





2. Em todos os seis países, a maioria dos que não acreditam em Deus se identifica como "sem religião".





3. Na hora de se autorrotularem, os incrédulos que preferem ser chamados de "ateu" ou "agnóstico" não são a maioria. Muitos classificam-se como "humanistas", "pensadores livres", "céticos" ou "seculares".





4. Os ateus do Brasil e da China são os menos convencidos de que sua crença sobre a não-existência de Deus está correta.





5. Não crer em Deus não significa necessariamente não acreditar em outros fenômenos sobrenaturais, ainda que os ateus sejam mais céticos em relação a estes do que as populações gerais.





6. Entre os ateus, o percentual de pessoas que acham que o universo é "em última instância, sem sentido" é maior do que no restante da população. Mas, ainda assim, em número muito inferior ao de metade dos pertencentes ao grupo.





7. Quando confrontados com questões relacionadas a, segundo o relatório, "valores morais objetivos, dignidade humana e direitos correlatos, além do valor profundo da natureza", as posições dos ateus são semelhantes ao do restante da população.





8. Por fim, quando perguntados sobre quais são os valores mais importantes da vida, houve uma "concordância extraordinariamente alta entre incrédulos e populações gerais", apontou o levantamento. "Família" e "liberdade" foram muito bem citados por todos, além de "compaixão", "verdade", "natureza" e "ciência".