Mulheres de Fé – Eliene Cardoso e a vitória em Cristo

Fechando a série “Mulheres de Fé”, em homenagem a Semana Internacional da Mulher, o Melodia News conta nesta sexta (12) a história da missionária Eliene Cardoso.

Natural de Minas Gerais, Eliene entrou muito cedo no mundo das drogas, que estiveram presentes em sua vida e a tornaram invisíveis à sociedade por muito tempo. O destino de Eliene, como de muitos outros dependentes químicos, foram o crack e a cracolândia de São Paulo. Porém sua caminhada não terminaria ali. Eliene conta que sua história começa a mudar quando “aparece um povo de amarelo falando sobre o projeto Cristolândia” da Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira, porta de entrada para usuários de drogas que desejam mudar de vida. Confira a conversa com Eliene e conheça sua jornada.

Eliene, você tem uma história linda e com um final improvável de vitória. Mas como as adversidades começaram? Como você foi parar na cracolândia?

Eliene:
Bom, eu sou natural de Minas Gerais, Belo Horizonte, porém cresci em Barbacena, interior, e tudo começou quando um dia eu sonhei em ser famosa e comecei a correr atrás disso, embora muito nova, aos 10 para 11 anos, comecei a me enturmar com a galera da escola, achava que essa era a minha porta de entrada, pois eu precisava ser popular. Aí eu comecei a me envolver com maconha, bebidas, baladas e acabou que eu me viciei e não parei mais, até que com 12 anos eu resolvi sair de casa e fui morar nas ruas. Vivi de cidade em cidade, com 15 anos me viciei no crack, até que eu fui parar na cracolândia de São Paulo.

E como essa história começou a mudar? Como foi o caminho até deixar a cracolândia?

Eu já estava cansada de viver nas ruas, andando drogada, e fui parar na cracolândia e vivenciar a minha vida por ali, passando por tantas dificuldades como abusos sexuais, sendo maltratada, vivendo no crime, roubando para usar drogas, fui presa e tudo isso foi me deixando cada dia mais sem esperança para mudar de vida. Na minha cabeça eu ia morrer ali e acabar os meus dias nas drogas. Mas um dia eu estava na cracolândia e aí aparece um povo de amarelo falando sobre o projeto Cristolândia, me convidaram para tomar banho, trocar de roupa, tomar café, almoçar.

Foram várias tentativas que eles me acordaram para poder me levar ao projeto, e um dia eu resolvi ir, tomei banho, comecei a ouvir a palavra de Deus, troquei de roupa e todos os dias em que eu estava na cracolândia comecei a frequentar o projeto. Um dia, um homem que sempre ficava na porta falando que Jesus podia mudar minha história, ele falou que abriram uma casa feminina, se eu não queria ir. Tive medo de aceitar por já ter passado por outras casas e não ter dado certo, porém resolvi aceitar e mais uma vez tentar. E foi quando eu deixei que o amor de Deus entrasse em meu coração e tive o cuidado dele todos os dias fazendo com que eu permanecesse firme.

A sua história de vida também é uma história linda de amor. Como é sua relação com o seu marido, Lodemir, tendo em vista que se conheceram durante esse processo de transformação?

Então, Lodemir, abaixo de Deus, hoje ele é minha base, aliás ele sempre foi o que me fortaleceu a caminhar, porque foi Lodemir que todos os dias falava pra mim que Jesus transformou a vida dele e que poderia transformar minha vida, então minha relação com Lodemir hoje é união e força, a gente se fortalece um no outro a gente caminha junto, não esquecendo de onde Deus nos tirou, e buscamos dia a dia compreender um ao outro e fortalecer um ao outro. 

Com certeza essa sua caminhada tem tudo a ver com sua fé. Para você, qual foi a importância da Palavra de Deus e da Cristolândia na sua caminhada?

A palavra de Deus pra mim é Vida, orientação, é ela que me direciona mesmo quando eu tenho os meus conflitos, é dela que vem o meu fortalecimento para saber que Deus não me abandonou nunca, mas que precisava de eu tomar uma atitude para poder mudar a minha mente e conhecer os planos de Deus para a minha vida. E a Cristolândia trouxe isso para mim, porque quando eu chegava na Cristolândia, sempre tinha alguém que sentava comigo, na hora do café, conversava comigo, mostrava dentro da palavra de Deus a transformação que poderia fazer na minha vida, então eu sou muito grata a Deus e ao  projeto Louvo a Deus pela vida das missionárias e missionários que passaram e passam pela minha vida e me ensinaram a ter uma caminhada diferente, bem longe das drogas, e me ensinam que é possível viver sem as drogas e ser uma pessoa feliz.

E agora você está retribuindo a ajuda que recebeu e passando para frente, contribuindo para a transformação de outras pessoas por meio da fé. Como é fazer parte desse ciclo de ajuda sendo agora uma missionária?

É muito gratificante fazer parte disso, mostrar para outras pessoas que é possível ter uma vida diferente, que a esperança é verdadeira, existe e precisamos acreditar. Um dia eu me encontrava sem esperança e sem sonhos, e um dia me disseram que os sonhos não morrem e que a esperança é viva. Eu acreditei, e então fazer parte desse ciclo de levar esperança e reviver sonhos das pessoas não tem preço.

E como você se definiria hoje? Quem é a Eliene Cardoso?

Hoje me defino como cidadã, sonhadora e alegre, tenho objetivos para serem conquistados, então, Eliene hoje é uma mulher que acredita que com Deus na direção, onde todas as coisas e para Ele e por Ele, sou mais que vencedora.

Eliene, você tem alguma mensagem para as mulheres de fé nessa semana especial?

Que tenhamos força para lutar as batalhas da vida.

Que tenhamos fé para vencer.

Que tenhamos ânimo para jamais desistir.

Que tenhamos esperança para que tudo dê certo.

Que tenhamos Deus para estar à frente de tudo, fazendo o melhor por nós.