Denúncia: jogador diz ter sido detido em abrigo na Venezuela em condições desumanas

Para quem atravessa por via terrestre a fronteira entre o Brasil e a Venezuela, uma barreira sanitária obriga viajantes a serem testados para detectar a Covid-19.

O jogador de futebol e empresário venezuelano, Douglas Madera, 35 anos, diz ter sido enganado pelas autoridades locais e obrigado a ficar, desde domingo (7), em um abrigo para quarentena em condições desumanas, sob vigilância armada, mesmo após apresentar o resultado negativo para o novo coronavírus.

Madera mora há três anos na Itália e esteve na última semana no Brasil para reuniões de negócios ligados ao futebol. A viagem seguiria a Caracas para reativar um projeto social esportivo. De São Paulo, na sexta-feira (5), ele diz ter pego um voo a Boa Vista/RR e depois alugado um carro para chegar a Pacaraima, cidade que faz divisa com a Venezuela. 

Segundo o atleta, após fazer a travessia e chegar a Santa Elena de Uairén, foi explicado pelas autoridades que ele deveria fazer um teste PCR e, se desse negativo, ele seria encaminhado a um local em Puerto Ordaz, onde faria um segundo teste e seria liberado. 

“Eles me colocaram em um ônibus e viajamos por um dia e meio fazendo paradas. Cheguei na madrugada de domingo no abrigo e não havia teste nenhum. A nova explicação dada era que só depois de uma semana sem apresentar sintomas é que poderíamos sair. Fomos enganados e estamos presos. Nunca nos deram a informação correta”, revela Douglas.

Douglas diz estar detido na Fundação Armonia, em Puerto Odaz, uma organização sem fins lucrativos vinculada ao governo venezuelano, que de acordo com as suas redes sociais, “oferece bem-estar e atendimento integral de primeira linha aos idosos”.

Mas de acordo com o jogador, a realidade é outra. Ele diz que o espaço abriga cerca de 150 pessoas em 46 quartos, divididos por duas alas, e cerca de oito camas por quarto. Segundo Douglas, todos os dias cerca de 30 novas pessoas entram e outras 30 saem do abrigo. O jogador deve deixar o local no próximo domingo (14).

Ele compartilhou fotos e vídeos gravados por celular sobre a precariedade do espaço e relata uma situação de abandono e falta de condições sanitárias mínimas para abrigar seres humanos. Nos quartos, quatro beliches sem distanciamento e com colchões sem travesseiros e lençóis.

No banheiro, o chão está alagado pela água que volta do vaso sanitário, onde a descarga tem que ser acionada com um balde com uma água amarelada que sai do chuveiro. Também não há energia elétrica.

Em outra denúncia, são mostradas pessoas comendo suas refeições com as mãos, porque não teria sido dado talheres a todos. Há registros de crianças pequenas também no local. O governo venezuelano não se pronunciou sobre as denúncias.

Na carreira, Madera já defendeu o Estudiantes de Mérida, da Venezuela, o Miami United e o Corinthians USA, dos Estados Unidos, e o brasileiro Spartax, da Paraíba.