Correndo pelo Diabetes: grupo promove atividade física como caminho para o bem-estar

Hoje, 4 de março, é observado o Dia Mundial da Obesidade, data que tem por objetivo chamar a atenção para o tema, sua complexidade e fatores causadores da condição que já afeta 41 milhões de brasileiros adultos, cerca de 26% da população. Associado à obesidade e ao sobrepeso está o diabetes, doença crônica silenciosa que acomete mais de 12 milhões de pessoas no Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes.

Para as duas condições, os especialistas indicam um caminho: a adoção de uma vida saudável. E é por isso que o Melodia News ouviu, nesta quinta (04), Bruno Helman e Lilian Pastore, da organização ‘Correndo Pelo Diabetes’, que promove o acolhimento de pessoas com diabetes por meio da promoção da atividade física. Bruno é fundador e CEO do grupo, enquanto Lilian é diretora de promoção da saúde.

Confira a conversa:

1. Qual é a diferença entre sobrepeso e obesidade?

Bruno Helman:
A obesidade é uma doença crônica multifatorial, ou seja, causada por uma série de fatores ambientais como estresse elevado, inatividade física, alimentação inadequada, falta de sono e que também possui questões genéticas envolvidas. Sua principal manifestação se dá pelo acúmulo de gordura corporal, resultando num índice de massa corporal (IMC) igual ou acima de 30. Já um indivíduo com sobrepeso possui um IMC 25 e 29,9.

2. E como se dá a relação entre obesidade e diabetes?

Bruno Helman:
O diabetes, principalmente tipo 2, e a obesidade são condições crônicas que andam lado a lado. As causas dessas duas doenças como as demais DCNTs (Doenças Crônicas Não Transmissíveis) passam por cinco fatores de risco principais: inatividade física, alimentação inadequada, uso abusivo do álcool, tabagismo e poluição do ar.

É bastante comum que as pessoas com obesidade possuam diabetes tipo 2 também. Já em relação ao diabetes tipo 1 (autoimune), por mais que a obesidade não seja causa, a sua manifestação dificulta o manejo, uma vez que o acúmulo da gordura corporal afeta a absorção da insulina pelas células. 

É importante destacar que as pessoas com condições crônicas, como diabetes e obesidade, não devem ser estigmatizadas e responsabilizadas pelas suas doenças, elas devem ser acolhidas e colocadas no centro do cuidado.

3. Uma pessoa pode ter diabetes e não saber? Quais são os principais sinais da doença e como é feito o diagnóstico?

Bruno Helman:
O diabetes é uma doença crônica silenciosa, muitas vezes o diagnóstico vem anos depois dos primeiros sintomas, por isso a detecção precoce é fundamental para prevenir as complicações decorrentes da doença. Os principais sintomas são: perda de peso, sede excessiva, irritabilidade, cansaço, visão embaçada, vontade de urinar várias vezes ao dia, formigamentos. O diagnóstico se dá, principalmente, por meio de exames laboratoriais.

4. É possível prevenir o diabetes mesmo no caso de quem tem histórico familiar? E em quem já tem o diagnóstico de diabetes, como é feito o tratamento?

Bruno Helman:
Como a obesidade, o diabetes é uma doença multifatorial, a genética ou histórico familiar são parte importantes nessa equação.  Nesses casos é difícil falar de prevenção, porém hoje a medicina evoluiu muito e há tratamentos excelentes, disponíveis no SUS (Sistema Único de Saúde), inclusive. Contudo, para além da terapia medicamentosa, seja para prevenção do diabetes ou para o tratamento daqueles que já tem a condição, adotar uma alimentação saudável, praticar atividade física regularmente, não consumir bebida alcoólica em excesso e não fumar são fundamentais.

5. O que é o 'Correndo pelo Diabetes'? Você pode contar um pouco da história e da atuação do projeto?

Lilian Pastore:
‘Correndo pelo Diabetes’ é uma entidade sem fins lucrativos sustentada por 5 pilares que, quando colocados em prática, ajudam os nossos participantes a tornarem seus sonhos possíveis. São eles: atividade física, amizades, acolhimento, autoconhecimento e autonomia. Inicialmente criado para arrecadar fundos para entidades que pesquisam a cura para o Diabetes, partindo de uma iniciativa pessoal de Bruno Helman, corredor e que possui Diabetes tipo 1, hoje possui um papel muito mais amplo, de ação imediata na saúde física e mental dos participantes, atuando em abrangência nacional. Ele envolve corrida/caminhada, exercícios funcionais, encontros virtuais com especialistas em Diabetes, acompanhamento de educadores em Diabetes, Yoga semanal e encontros virtuais. Além disso, temos o papel social com bolsas de 50 a 100% para pessoas que dependem exclusivamente do SUS.

Todos os profissionais do CPD estão envolvidos profissionalmente e pessoalmente com Diabetes, seja possuindo a condição, ou cuidando de um ente com ela.

As vivências práticas e o apoio da equipe de profissionais de saúde são fundamentais para que os participantes desenvolvam o autoconhecimento e tenham, portanto, autonomia no cuidado com a saúde. Dessa maneira, estão prontos para correr atrás dos seus sonhos.

6. Como o projeto adaptou suas atividades às restrições impostas pela pandemia da Covid-19?

Lilian Pastore: 
Com a pandemia, podemos dizer que o projeto cresceu e atingiu nível nacional, uma vez que passamos a realizar os encontros em plataformas virtuais, acompanhamento online por uma equipe multidisciplinar com foco em Diabetes. A prescrição dos treinos, dúvidas e feedbacks são totalmente realizados via aplicativo. As aulas de treinamento funcional e Yoga também são realizadas ao vivo via plataforma virtual e quem não puder estar tem acesso à gravação, assim como os encontros com especialistas. Assim, otimizamos tempo, aproximamos quem está longe e difundimos conhecimentos. Após a pandemia, temos projetos de encontros ao vivo.

7. Por falar em pandemia, as pessoas com comorbidades, como diabetes e obesidade, foram bombardeadas com alertas de risco no último ano.

Lilian Pastore: 
O que você recomenda para a parcela dessas pessoas que nunca havia se cuidado de forma intensa, não praticava atividades físicas, por exemplo? Por onde começar?

Sim, sabemos que a obesidade se tornou um dos fatores de risco para complicações da COVID19. Atualmente, a orientação da OMS é que adultos façam atividade física moderada de 150 a 300 minutos ou de 75 a 150 minutos de atividade física intensa, quando não houver contraindicação. Para iniciantes, qualquer mudança na rotina já ajuda, como caminhar ao trabalho, ou à padaria, subir e descer escadas, caminhadas leves e ir aumentando gradativamente o ritmo e, se possível, procurar ajuda especializada de um educador físico. Apenas COMECE! Uma caminhada de 15 minutos já ajuda imensamente o corpo a começar a sair do sedentarismo e, de quebra, ajuda na melhora do controle glicêmico, já que também sabemos que a Diabetes descompensada também é um fator de risco para complicações da COVID19.

8. E onde as pessoas podem encontrar o Correndo pelo Diabetes? Vocês estão nas redes sociais?

O ‘Correndo pelo Diabetes’ está no Instagram (instagram.com/correndopelodiabetes), no Facebook (facebook.com/correndopelodiabetes) e no site (www.correndopelodiabetes.com).