Jovem que matou jogadora profissional de esportes eletrônicos diz que queria “atacar o cristianismo”

Um crime estarrecedor provocou indignação na comunidade de fãs de jogos e esportes eletrônicos nesta semana. Um jovem jogador de 18 anos atraiu uma outra jogadora profissional a sua casa e a assassinou de forma premeditada. O crime ocorreu na última segunda-feira (22), em Pirituba, na Zona Norte da cidade de São Paulo.

O corpo de Ingrid ‘Sol’ Bueno, estudante de 19 anos e jogadora de e-sports, foi encontrado caído no quarto do suspeito por seu irmão. Ele contou à polícia que o suspeito não estava em casa e que, por telefone, o convenceu a se entregar no Distrito Policial. De acordo com agentes que atenderam à ocorrência, Ingrid estava ferida com facadas no peito e com um corte profundo no pescoço.

De acordo com o boletim de ocorrência, o suspeito, que conheceu a vítima há pouco mais de um mês, afirmou que teria planejado o assassinato há duas semanas. Em um vídeo registrado por um policial civil, ele é questionado se tinha ciência do que havia feito e responde “claro que tenho”. Em seguida, questionado sobre a motivação, o suspeito sorri e diz “fiz porque quis”. Em uma outra gravação, o jovem afirma que queria “atacar o cristianismo”.

Depois do crime, o suspeito teria enviado uma mensagem a seus companheiros da equipe ‘Gamers Elite’ na qual afirmava ter matado uma mulher, filmado e compartilhado. Segundo representantes do time, ele teria deixado um arquivo em PDF com mensagens de ódio aos cristãos e com acenos ao terrorismo. Em nota, a Gamers Elite afirmou que “jamais irá compactuar ou fazer apologias” ao crime e que acionou a polícia assim que teve ciência das mensagens. 

O suspeito foi indiciado em flagrante por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) converteu a prisão em flagrante para preventiva, ou seja, sem tempo determinado. O jovem está detido no Centro de Detenção Provisória do Belém, na Zona Oeste de São Paulo, e a polícia vai periciar um par de botas ensanguentadas, o celular e um livro do autor do crime, onde ele afirma ter registrado suas motivações.

Homenagem a ‘Sol’

Ingrid ‘Sol’ era jogadora profissional de Call of Duty Mobile, um jogo para celular, e atuava pela equipe ‘FBI E-Sports’. Inicialmente no time feminino, as habilidades de Sol a colocaram no time masculino, que tem um cenário mais forte e competitivo. Após sua morte, a equipe decidiu mudar o nome do time feminino para ‘Line Sol’.

"Ingrid, a Sol, era uma jogadora profissional que trouxe muito orgulho para equipe como um todo. Sua relação com os colegas era excelente e ela era amada por todos os jogadores da nossa organização, que para nós é como uma família" – contou Matheus ‘Krony’ Leal, responsável pelo marketing, comunicação e departamento pessoal da FBI E-Sports.