Perseguição: cristãos são processados por blasfêmia após estudarem a Bíblia em público

A polícia de Laore, no Paquistão, está processando dois cristãos acusados de blasfêmia depois que muçulmanos denunciaram que eles estavam realizando estudos bíblicos em um parque da cidade na semana passada.

Os dois amigos, Haroon e Salamat, estavam lendo a Bíblia no Parque Modelo da Cidade de Laore no último dia 13 de fevereiro, quando foram abordados por jovens muçulmanos, que afirmaram que os cristãos não deveriam realizar a leitura em público. As informações são da advogada Aneeqa Maria, que representa Haroon.

Os amigos, então, disseram aos jovens muçulmanos que não era proibido ler a Bíblia em público e que, portanto, eles não tinham direito de impedir a leitura. Os jovens, então, começaram a perguntar sobre a fé cristã dos amigos e pediram um material para “ajudar a entender a Bíblia”. Mais tarde naquele dia, porém, os jovens voltaram ao local e atacaram Salamat, que havia ficado sozinho no parque:

“Um pouco depois, os jovens muçulmanos voltaram ao local onde Salamat estava e o atacaram, dizendo que ele e Haroon estavam blasfemando contra ‘seu profeta’. Eles também chamaram os seguranças do parque e mentiram para ele, afirmando que dois cristãos estavam evangelizando muçulmanos no parque e usando palavras de ‘desonra’ ao Corão e ao ‘profeta’” – contou a advogada Aneeqa.

Os jovens, acrescenta a advogada, ainda chamaram representantes de um partido radical islâmico do Paquistão, que foram ao local e pressionaram a polícia para que os cristãos fossem processados por crimes que vão de 10 anos de prisão até a pena de morte. De acordo com a defesa, Salamat está preso, enquanto Haroon, que havia ido embora antes do ataque, conseguiu liberdade preventiva:

“Salamat foi levado em custódia do local, enquanto nós conseguimos obter uma liberdade preventiva para Haroon até o dia 24 de fevereiro. Haroon e Salamat não estavam pregando contra os muçulmanos como alegado. Na verdade, eles estavam lendo a Bíblia e discutindo entre eles quando um grupo de jovens muçulmanos ouviu a conversa e se opuseram ao estudo.”

As falsas acusações de blasfêmia contra cristãos são comuns no Paquistão, frequentemente motivadas por perseguição e preconceito religioso. Enquanto os acusados podem enfrentar anos na prisão e até pena de morte, quem for pego fazendo falsas acusações só pode enfrentar até seis meses de prisão e pagar uma multa pequena.


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