Polícia indicia técnica de enfermagem por falsa aplicação de vacina em Niterói

A Polícia Civil indiciou a técnica de enfermagem que fraudou a aplicação da vacina contra a Covid-19 em um idoso de 90 anos em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Ela vai responder por peculato e infração de medida sanitária preventiva.

De acordo com o delegado Luiz Henrique Pereira, titular da 76ª DP (Niterói), a técnica é acusada de subtrair ou desviar um bem público (dose da vacina) e infringir determinação do poder público destinada a impedir propagação de doença contagiosa. Em depoimento, ela alegou que o cansaço e o estresse do dia de trabalho levaram a uma falha não intencional.

O delegado, porém, utilizou as imagens gravadas pela família do idoso que deveria receber a vacina para desmentir essas alegações. No vídeo, a técnica de enfermagem conversa e faz brincadeiras com o idoso, não demonstrando estresse. Ela anuncia que a aplicação foi feita com sucesso e, quando perguntada por um familiar do senhor se realmente havia administrado a vacina, responde com espanto: “oxe”.

De acordo com o delegado, a investigação já foi concluída:

“Pretendo, até o fim da semana, relatar um inquérito e encaminhar para a Justiça. A investigação já está concluída. Só preciso fazer um relatório das imagens e juntar ao inquérito” – contou.

A funcionária já havia sido afastada pela prefeitura de Niterói e agora vai responder criminalmente. O idoso, por sua vez, recebeu o imunizante em casa.

Outros casos

A Delegacia de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (DCC-LD) investiga outros dois casos denunciados no estado do Rio, em parceria com o Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren).

Na capital, a família flagrou uma funcionária aplicando “vento” em vez de vacina. Alertada pelo familiar, ela corrigiu o erro e administrou a dose do imunizante.

Em Petrópolis, uma idosa de 94 anos também recebeu apenas ar no braço. Os familiares só perceberam depois, já em casa, quando reviam a filmagem do momento. Com a repercussão, a idosa também foi imunizada em seu domicílio.

O caso levou a Secretaria Municipal de Saúde de Petrópolis a mudar o protocolo de vacinação, orientando os funcionários a mostrarem a seringa cheia, antes da aplicação, e vazia, posteriormente. Os familiares foram encorajados a registrar o momento.


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