Manuela D’Ávila assume ter feito a ponte entre hacker e Greenwald

No depoimento à Polícia Federal, Walter Delgatti Neto disse que entrou em contato com o jornalista do site Intercept em maio, no Dia das Mães, e que foi a ex-deputada Manuela d’Ávila, do PCdoB do Rio Grande do Sul, quem intermediou esse contato Glenn Greenwald. Manuela D’Ávila disputou a última eleição presidencial como vice na chapa com Fernando Haddad, do PT. Segundo Delgatti, ele não cobrou dinheiro do site Intercept para entregar as mensagens que roubou e só teve contatos virtuais com o jornalista Glenn Greenwald. Delgatti contou à Polícia Federal que resolveu procurar Greenwald “por saber de sua atuação nas reportagens relacionadas ao vazamento de informações do governo dos EUA, conhecido como o caso Snowden. Em seu depoimento à Polícia Federal, o hacker Walter Delgatti Neto disse que partiu dele a iniciativa de pedir o contato do jornalista Glenn Greenwald. Em nota, o site Intercept Brasil disse que não comenta assuntos relacionados à identidade de suas fontes anônimas; que os desdobramentos da operação deflagrada pela Polícia Federal não mudam o fato de que a Constituição federal garante o direito do Intercept de publicar suas reportagens com este ou qualquer outro material de interesse público que chegue à redação do site. Também em nota divulgada à imprensa, a ex-deputada Manuela D’Ávila (PCdoB) confirmou que passou o contato do jornalista Glenn Greenwald a alguém que dizia ter “obtido provas de graves atos ilícitos praticados por autoridades brasileiras”. A ex-parlamentar relatou ter sido comunicada pelo Telegram de uma invasão em seu aplicativo, no dia 12 de maio. Depois, alguém entrou em contato, dizendo estar no exterior, e com a intenção de divulgar o material coletado. Manuela informa ainda que desconhece a identidade do invasor de seu celular. “Estou, por isso, orientando os meus advogados a procederem a imediata entrega das cópias das mensagens que recebi pelo aplicativo Telegram à Polícia Federal”, informou.