Desembargador manda soltar Belo; cantor é suspeito de ser contratado por traficante O desembargador Milton Fernandes de Souza aceitou o pedido de habeas corpus da defesa do cantor Belo e mandou soltar o pagodeiro. Belo foi preso ontem em Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro, após ter feito um show com aglomeração durante o Carnaval.

Além do artista, dois produtores e um traficante são investigados pela realização dessa apresentação, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio, no dia 13 de fevereiro. Segundo a polícia, eles violaram um decreto municipal que proibiu aglomerações no carnaval e contribuíram com a disseminação do coronavírus, colocando em risco a vida de centenas de pessoas.

Como o show foi realizado em uma escola estadual do Parque União e não teve permissão das autoridades de Saúde, a polícia também investiga a invasão ao colégio. Segundo a polícia, Belo e os demais investigados vão responder por quatro crimes: infração de medida sanitária, crime de epidemia, invasão de prédio público e associação criminosa.

Apreensões
Na casa de Belo, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, a Polícia Civil apreendeu duas pistolas, munição, dinheiro em espécie e um computador. Segundo a investigação, as armas estão registradas no nome do artista, que tem posse de arma.

As investigações apontam que foi o chefe do tráfico de drogas da comunidade Parque União, onde ocorreu o evento, quem autorizou o evento.

Belo teria sido contratado por R$ 65 mil. Em depoimento na Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) na quarta-feira (17), o artista afirmou que só ficou com metade do valor pago.

A defesa de Belo anexou a nota fiscal do show no pedido de habeas corpus. De acordo com o documento, a empresa responsável por contratar Belo foi a Leleco produções, cujo representante legal é Leonardo Ribeiro de Paiva.

Na nota, consta que a empresa contratada para o evento foi a Belo Music Empreendimentos artísticos. Ainda em seu depoimento, Belo afirmou que sempre que realiza shows, a empresa que leva seu nome é que intermedia a relação entre ele e os contratantes.

O cantor alegou que os sócios da empresa são José Alfredo da Silva Santana e Ronaldo de Carvalho Menino. Segundo Belo, quem toma as decisões da empresa é Alfredo. O artista alegou que sequer sabe os locais onde fará seus shows e que apenas se encaminha aos locais pré-determinados.