MP-SP investiga médico que tomou uma dose da CoronaVac e uma da vacina de Oxford

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu um inquérito para investigar a conduta de um médico da cidade de Assis, que afirma ter tomado uma dose de cada vacina contra a Covid-19 aplicada no Brasil.

O médico Oliveiro Pereira da Silva Alexandre publicou um vídeo em suas redes sociais, na segunda-feira (15), no qual anuncia ter tomado, por conta própria, uma dose da vacina CoronaVac e uma da vacina Oxford/AstraZeneca. Segundo o ‘Dr. Oliveiro’, as vacinas teriam sido aplicadas em um intervalo de menos de uma semana para testar informações da imprensa internacional de que a combinação seria mais eficaz contra novas variantes do coronavírus.

O procedimento é vedado pelo Ministério da Saúde. Os promotores Fernando Fernandes Fraga e Sérgio Campanharo assinam a portaria de instauração de inquérito civil que afirma que o médico teria violado “princípios norteadores da Administração Pública, especialmente o da moralidade com a consequente configuração da prática de ato de improbidade administrativa”.

A prefeitura de Assis terá que explicar os detalhes da vacinação na cidade e esclarecer como o médico teve acesso às doses, que são fornecidas pelo poder público. Os promotores também pedem que o Hospital Regional, onde o Dr Oliveiro trabalha, informe as providências que serão tomadas na apuração do caso, além de informações de “eventual comunicação ao Cremesp [Conselho Regional de Medicina de São Paulo] para apuração de falta ético-profissional”.

Defesa

Em sua defesa, o médico afirmou que já tinha tomado a primeira dose da CoronaVac regularmente, mas decidiu receber outra dose da vacina de Oxford/AstraZeneca porque seriam descartadas no fim do dia, depois de abertas:

“Eu pensei: ‘bom, a vacina vai ficar perdida se eu não tomar, não faz diferença’. Mas eu posso trocar a outra dose da CoronaVac pela AstraZeneca, foi esse o meu raciocínio lógico. Eu vou lá, tomo da AstraZeneca, é dose única, já estou na linha de frente mesmo, estou protegido, e a última dose da CoronaVac eu não tomaria, fica à disposição para outro cidadão. Então ninguém tomou vacina de ninguém, ninguém ficou sem vacina por minha causa.” – alegou.

Secretaria de Saúde reprovou

Em conversa com a imprensa, o secretário estadual de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou que a administração “não compactua com este tipo de atitude” que contraria protocolos determinados pelos desenvolvedores dos imunizantes:

“Todas as irregularidades estão sendo acompanhadas de perto pelo MP-SP para avaliar as condutas de quem deu a dose, quem recebeu, e por que isso aconteceu fora do que é preconizado pelo PNI [Plano Nacional de Imunização]. Cada dose de vacina é patrimônio público e o seu uso incorreto deve ser apurado” – disse o secretário.