Após traficante, Rio investiga se outros 43 criminosos deixaram a cadeia com alvará falso

A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (SEAP) está investigando o processo de saída da prisão de 43 criminosos no final de 2020. A suspeita é que, assim como no caso de um dos maiores traficantes de armas do mundo, eles tenham usado um falso alvará de soltura.

A SEAP determinou um mutirão para revisar todos os alvarás cumpridos desde setembro do ano passado. De acordo com o desembargador Marcelo Granado, que descobriu as ilegalidades no alvará de soltura do traficante João Felipe Barbieri, as falsificações poderiam ter sido facilmente identificadas. Segundo ele, os documentos tinham erros como número do processo errado e assinatura de um policial civil que não existe:

"É importante dizer isso, não havia uma decisão interlocutória de ninguém nesse processo. É tudo falso. Certamente, usaram não a decisão, porque a decisão... qualquer pessoa vendo aquela decisão percebe que não foi proferida por um magistrado. Há erros ortográficos, a formatação é muito estranha, com letras maiúsculas no meio do parágrafo, sem iniciar frase. É estranho, no mínimo" – contou o desembargador ao ‘Fantástico’.

De acordo com as investigações, uma das beneficiadas pelos alvarás falsos teria sido Gilmara Monique Amorim, que cumpria pena de 18 anos de prisão em um presídio de Niterói, Região Metropolitana do Rio. Ela faz parte de uma quadrilha acusada de pelo menos 10 assaltos a banco no estado. Em 2008, o gerente de uma agência da Caixa Econômica foi sequestrado pelo bando e ficou por um dia em cativeiro, junto da filha e da esposa.

Assim como João Barbieri, Gilmara saiu pela porta da frente da cadeia em novembro do ano passado.