Ex-secretário de Saúde do Rio também é alvo da Operação Desmascarados da PF

A corrupção no Estado do Rio de Janeiro durante a pandemia pode ter feito mais vítimas que o próprio coronavírus. Na Operação Desmascarados deflagrada hoje (10) pela Polícia Federal um dos alvos é o ex-secretário estadual de Saúde do RJ, Fernando Ferry.

Segundo as investigações, há indícios de fraude em compras de equipamentos de proteção individual (EPIs) contra o coronavírus pelo Hospital Universitário Gaffrée e Guinle.

A força-tarefa investiga também suspeitas de direcionamento na escolha do fornecedor dos EPIs e de superfaturamento — alguns itens foram comprados pelo triplo do preço de mercado.

O Gaffrée e Guinle, do qual Ferry é superintendente e de onde ele se licenciou para assumir a Saúde do RJ em maio de 2020, é vinculado à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

Ferry substituiu Edmar Santos, que chegou a ser preso, mas foi solto após delatar um esquema que levou ao afastamento do governador Wilson Witzel. Pouco mais de um mês depois, Ferry pediu demissão.

SAIBA MAIS SOBRE A OPERAÇÃO

Edmar Santos foi exonerado após atrasos na instalação dos hospitais de campanha e desgaste provocado por denúncias de fraudes na licitação para a compra de respiradores.

Em 17 de junho, ao ser questionado se havia “muita lama nos contratos da gestão passada”, Ferry disse: “Não posso julgar (...) mas, como cidadão, eu acho que tem”.

Dias após a exoneração, Ferry prestou depoimento na comissão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro que fiscalizava gastos durante a pandemia do coronavírus.

Ferry justificou a saída dizendo que viu muitas irregularidades e percebeu que teria muito trabalho para cumprir os pagamentos, inclusive os salários atrasados.

O ex-secretário citou práticas adotadas pela gestão anterior como, a mesma área da Superintendência de Orçamento e Finanças ser responsável por fazer e pagar os contratos. Segundo Ferry, a prática abriria brechas para fraudes e corrupção.