Hacker queria vender mensagens de autoridades ao PT
O advogado Ariovaldo Moreira afirmou na noite de ontem (24) que seu cliente, o DJ Gustavo Henrique Elias Santos, disse em depoimento à Polícia Federal que a intenção de Walter Delgatti Neto, apontado como o hacker que invadiu os celulares do ministro Sergio Moro e outras autoridades, queria vender ao PT as mensagens que obteve. O advogado deu as declarações após os depoimentos prestados por Gustavo Santos e pela mulher dele, Suelen Priscila de Oliveira, na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde estão presos.

“Essa informação está nos autos, é oficial. Então, ele confirma que o Walter mandou mensagem para ele, mandou inclusive parte da interceptação telefônica do juiz Sergio Moro e a intenção, o meu cliente, dá conta de que o Walter queria vender esse produto, essas informações, para o Partido dos Trabalhadores", declarou.

O PT emitiu nota negando o envolvimento no roubo de mensagens.

O outro hacker preso é Danilo Cristiano Marques. A defesa dele ainda não se manifestou. Com exceção da mulher, todos tinham passagem pela polícia.

No Twitter, Delgatti era um agressivo defensor do PT e pedia em suas publicações a liberdade do ex-presidente Lula.

O coordenador-geral de Inteligência da PF, João Vianey Xavier filho, disse que o grupo tem ligação com crimes de estelionato eletrônico e fraudes bancárias.

“O perfil dessas pessoas é relacionado a estelionato eletrônico. Estão relacionados a fraudes bancárias eletrônicas praticados mediante internet banking, engenharia social em contato com possíveis vítimas e fraudes em cartão de crédito e débito, o que é muito comum e a PF já tem expertise. Foi localizado na casa de um dos alvos quase R$ 100 mil. O valor foi apreendido e já devidamente depositado em juízo”, disse o coordenador.

Nas buscas, os agentes apreenderam um computador com atalhos para aplicativos. Policiais também encontraram um aparelho celular do mesmo modelo identificado por peritos. De acordo com a investigação, o grupo de hackers pode ter feito mais de mil vítimas.