Super soro contra a Covid-19 deve ir à Anvisa nesta semana

O Instituto Vital Brazil deve ir à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta semana para solicitar a permissão para realizar testes em humanos de um soro anti-Covid-19 produzido a partir do plasma de cavalos infectados com o coronavírus.

O teste em humanos é a última etapa do estudo que pode resultar no primeiro tratamento específico contra a Covid autorizado no Brasil. O soro é alcançado por meio do plasma de cavalos infectados com uma proteína do novo coronavírus. Esses animais não desenvolvem a doença, mas produzem uma resposta imunológica robusta, com anticorpos muito mais fortes que o de humanos.

A tecnologia já é bem estabelecida e utilizada com sucesso na produção de outros soros, como o antiofídico e o antirrábico. A ideia é que, se for eficaz, o soro contra a Covid-19 seja usado no tratamento de pacientes leves e moderados, quando há maior presença do vírus no organismo:

“Aquele paciente leve, que está indo para quadros moderados e moderadores que está indo para quadros graves. É janela que a gente acha que o vírus está em grande quantidade ou está se replicando no paciente e aí é o momento de entrar com doses de anticorpos já prontos, feitos pelos cavalos, para que os anticorpos neutralizem o vírus, dando uma chance de recuperação desse paciente” – explicou Luís Eduardo Cunha, diretor industrial e pesquisador do Instituto Vital Brazil.

Ana Marisa Tavassi, diretora do Centro de Desenvolvimento e inovação do Instituto Butantan, que desenvolve um tratamento semelhante, explicou a importância do soro na diminuição da carga viral:

“A doença, quando ela já está em um estágio mais grave, ela já tem efeitos secundários, são efeitos secundários à infecção causada pelo vírus. Porque ela é uma doença altamente inflamatória. Então a ideia é você bloquear esse efeito inflamatório e diminuir a carga viral” – contou.