Guerra à gordura trans A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova consulta pública para restringir o uso de gordura trans na indústria de alimentos. A proposta quer a implementação gradual de novos limites dessas substâncias na composição dos produtos.

Segundo a agência, o projeto usou como base a análise de estudos científicos. Pesquisas mostram que o excesso de ácidos graxos trans (AGTs) na comida é responsável pelo desenvolvimento de problemas cardiovasculares. Estima-se que o consumo dessas substâncias tenha causado 18.576 mortes por doenças arteriais no Brasil em 2010.

A proposta
A consulta pública ficará aberta por 60 dias. A proposta é restringir, inicialmente, o teor de gordura total nos alimentos a 2% destinados ao consumidor final. O limite também seria implementado aos serviços de alimentação, como restaurantes, e teria um prazo de 18 meses para execução.

Em um segundo momento, o uso de óleos e gorduras parcialmente hidrogenadas, outro tipo de ácido graxo trans industrial, seria totalmente banido do Brasil. A medida teria um prazo extra de 18 meses para adequação.

A Anvisa também propõe a elaboração de guias sobre opções tecnológicas para a substituição de óleos e gorduras e sobre as melhores práticas para a fritura de alimentos. Novas medidas regulatórias deverão complementar a proposta, como a criação de normas de rotulagem para lista de ingredientes e tabela nutricional.

Caso aprovada, a medida segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde e da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), que pedem aos governos novas ações para restringir o ácido graxo trans industrial dos alimentos até 2023. O uso dessas substâncias já foram reduzido em 49 países.

Nos Estados Unidos, a indústria tem até o fim deste ano para tirar totalmente a gordura trans artificial de circulação.

Mas um receio desponta: que tipo de substância entraria no lugar? Em teoria, são as gorduras saturadas, que dão o mesmo resultado em termos de consistência. Para especialistas, é como trocar o “péssimo” pelo “muito ruim”.

O melhor cenário seria substituir uma parte desse teor de saturada por uma gordura com perfil mais insaturado. Mas nem todas as empresas estão preparadas para isso. Logo, se a trans sair mesmo de cena, a investigação do rótulo não poderá parar.