MP-AM pede prisão do prefeito de Manaus por fraudes na vacinação contra a Covid-19

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) pediu a prisão do prefeito de Manaus/AM, David Almeida (Avante), e da secretária municipal de Saúde, Shadia Fraxe, por supostas fraudes na campanha de vacinação contra a Covid-19.

Desde o início da vacinação na cidade, que enfrenta um colapso do sistema de saúde, surgiram diversas denúncias de pessoas furando a fila das prioridades. De acordo com o desembargador José Hamilton Saraiva dos Santos, a principal suspeita é a de que profissionais de saúde beneficiados por “relações de amizade ou parentesco” tenham sido nomeados às pressas pela prefeitura de Manaus, na véspera da vacinação, para que fossem incluídos no grupo prioritário da linha de frente do combate à Covid-19.

A investigação apontou a contratação de 10 médicos para cargo de gerente de projetos, com remuneração de R$ 9 mil. O caso mais célebre foi o das irmãs Gabrielle e Isabelle Lins, filhas de um influente empresário de Manaus, Nilton Lins. Elas acabaram de se formar e ganharam um cargo em uma unidade básica de saúde de Manaus um dia antes da chegada das vacinas. As duas foram vacinadas e postaram fotos do momento nas redes sociais.

De acordo com o MP-AM, os médicos contratados às pressas possuem “ligações políticas e econômico-financeiras de apoio político e eleitoral ao atual prefeito”, o que dá a “forte impressão de que a corrida para a formalização dos cargos ocorreu exatamente coincidindo com o momento das vacinas, a configurar fundada suspeita para as medidas apropriadas de apuração dos fatos.”

Além dos médicos, funcionários da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus também furaram a fila dos grupos prioritários, incluindo a própria secretária Shadia Fraxe.

Processo e defesa

A ação foi apresentada, na segunda-feira (25), pelo MP do Amazonas ao Tribunal de Justiça do estado (TJ-AM). O tribunal, no entanto, se declarou incompetente para analisar o caso e enviou a petição ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

Em nota, o prefeito David Almeida informou que está “profundamente indignado com a atuação ilegal e arbitrária” do Ministério Público do Amazonas. Além disso, David Almeida defende que “não há o menor indício de desvio de recursos públicos, ato lesivo ao erário ou repercussão criminal”.