Líder na corrida pela vacinação, Israel parece frustrado com Pfizer

Israel é, de longe, o país mais adiantado em relação à vacinação de sua população. O país começou a vacinar sua população há um mês – com prioridade aos profissionais da saúde e idosos – e já foram ao menos 2,5 milhões de vacinados, segundo o Ministério da Saúde israelense. Isso equivale a cerca de 25% do país que tem mais de 9 milhões de habitantes.

No entanto, um mês depois do início da campanha de vacinação, considerada um exemplo por sua agilidade e logística, autoridades israelenses esperavam uma queda maior no número de infecções diárias. O país registra atualmente um surto de casos de infecção, com cerca de 9.000 positivos diariamente, e está em seu terceiro lockdown. No total, mais de 558.249 foram infectadas e 4.044 morreram em Israel por Covid-19 desde o início da pandemia.

De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 12.400 pessoas testaram positivo para o vírus após receberem a vacina. O número inclui 69 pessoas que receberam a segunda dose.

A Pfizer afirma que seu imunizante, produzido em parceria com a BioNTech, tem cerca de 52% de eficácia após a primeira dose, chegando a cerca de 95% alguns dias após a segunda.

O país parece estar frustrado com os resultados da vacina. O coordenador nacional de Israel para a pandemia questionou na terça-feira, 19, a eficácia do imunizante da Pfizer, administrado no país, segundo a Army Radio. Durante encontro com autoridades do Ministério da Saúde antes de uma reunião para avaliar a extensão do lockdown, Nachman Ash afirmou, de acordo com a rádio, que a primeira dose da vacina da farmacêutica americana garante menos proteção do que o indicado pela empresa.

Muitas pessoas foram infectadas entre a primeira e a segunda dose da Pfizer, teria dito Ash, sugerindo que a proteção oferecida pela primeira dose é “menos eficaz do que pensávamos”. Ele ainda afirmou, de acordo com a rádio, que os dados sobre o efeito de proteção da primeira dose contra o vírus são “menores do que a Pfizer apresentou”.

Queda contraditória de casos

Duas semanas após o início da vacinação, o Ministério da Saúde anunciou que as vacinas provocaram uma queda de 50% no número de infecções. Ao mesmo tempo, no entanto, dados contraditórios foram divulgados por organizações ligadas à área da saúde.

Segundo o grupo médico Clalit, maior organização de saúde entre as quatro obrigatórias no país, a chance de uma pessoa ser infectada pelo coronavírus caiu 33% duas semanas após ser vacinada. Números distintos registrados pela Maccabi, outra organização, mostram quedas de 60%, segundo o Times of Israel.

Expansão da vacina

Israel expandiu sua campanha de vacinação contra a Covid-19 neste domingo (24) para incluir jovens de 16 a 18 anos, segundo as autoridades de saúde.

E desde sábado (23), pessoas com 40 anos, ou mais, também começaram a tomar a vacina em Israel.