Infectologista da Fiocruz é o primeiro a receber vacina de Oxford no Brasil A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciou na tarde deste sábado (23) a aplicação das primeiras doses da vacina Oxford/AstraZeneca, que chegaram ao Brasil na sexta-feira (22) em um voo da Índia.

O infectologista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Estevão Portela, foi o primeiro profissional de saúde a ser vacinado pelo imunizante. Ao todo, 10 pessoas receberam a vacina, incluindo a médica pneumologista do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, da Fiocruz, Margareth Dalcolmo.

Estevão é vice-diretor de serviços clínicos do INI e coordenador do estudo Solidariedade (OMS) no Brasil. A imunização foi realizada por Ananza Tainá e Flavio de Carvalho, do Centro se Referência em Imunobiológicos Especiais (Crie/INI). E foi acompanhada pela diretora do INI, Valdiléa Veloso, e pela presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima.

A Fiocruz liberou as doses para serem entregues ao Ministério da Saúde e, em seguida, distribuídas pelo Brasil, após realizar um processo de análise de segurança. O governo prevê entregar todas as doses neste domingo (24).

Os estados que mais receberão ampolas são: São Paulo (501.960), Minas Gerais (190.500), Rio de Janeiro (185.000), Amazonas (132.500), Bahia (119.500) e Rio Grande do Sul (116.000).

O imunizante de Oxford/AstraZeneca apresentou eficácia média de 70,42%, segundo estudo preliminar publicado na revista científica The Lancet no início de dezembro e validado pela Anvisa.

Ele utiliza um adenovírus que provoca resfriado em chimpanzés e é inofensivo para humanos, mas contendo a sequência genética responsável pela codificação da proteína “spike”, usada pelo Sars-CoV-2 para atacar.

Essa sequência genética instrui as células humanas a produzirem a proteína, que será reconhecida como agente invasor pelo sistema imunológico, estimulando a geração de anticorpos. O método é um dos mais tradicionais na produção de vacinas. (ANSA).

Segunda dose
Ao contrário da CoronaVac, o intervalo de aplicação da primeira e da segunda dose da vacina de Oxford é maior: três meses. Por isso, as secretarias estaduais de saúde poderão distribuir todas as doses recebidas.

No Rio de Janeiro, a subsecretária de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde, Claudia Mello, anunciou neste sábado (23) que todas as vacinas de Oxford recebidas pelo estado vão ser distribuídas, sem retenção da segunda dose.

"A dose dessa partida agora sem retenção da segunda dose. É uma dose que tem um intervalo de 3 meses (entre as aplicações). Então, a gente consegue distribuir de imediato e redistribuir e esperar a chegada da segunda leva", afirmou a subsecretária estadual de Vigilância.

Em nota, o Governo do estado confirmou a informação.

"A Subsecretaria de Vigilância em Saúde, com base em critérios técnicos, informa que todas as doses enviadas pelo Ministério da Saúde para o Estado do Rio serão distribuídas aos municípios em única remessa para aplicação imediata, de acordo com as prioridades do PNI. A medida foi tomada tendo em vista que a aplicação da segunda dose pode ser realizada em 90 dias após a primeira".

Já a CoronaVac, que começou a ser aplicada em todo o país na segunda-feira (18), tem um intervalo menor entre a primeira e a segunda doses: 14 a 28 dias. Por isso, o Ministério da Saúde orientou os Estados a guardarem metade de suas respectivas cotas do imunizante para a reaplicação.