Manaus suspende vacinação após denúncia de “fura-filas”; MP investiga em oito estados

As secretarias de Saúde do estado do Amazonas e da cidade de Manaus decidiram suspender temporariamente a campanha de vacinação contra a Covid-19, após o surgimento de denúncias de que pessoas influentes estariam furando a fila dos grupos prioritários.

Oficialmente, a explicação para a interrupção é de que os critérios de prioridade serão rediscutidos, já que as doses da CoronaVac recebidas até agora por Manaus só cobrem 34% dos profissionais de saúde, mas o Ministério Público do Amazonas está investigando as denúncias de pessoas furando a fila no estado.

Um exemplo divulgado amplamente nas redes sociais nesta semana é o das irmãs médicas Gabrielle e Isabbele Lins, que foram vacinadas ainda no primeiro dia de campanha. As duas fazem parte de uma família influente do Amazonas que detém alguns hospitais e universidade particulares em Manaus, além de outros empreendimentos.

Elas, inclusive, postaram nas redes sociais imagens do momento da aplicação. No entanto, o prefeito de Manaus, David de Almeida, rechaçou a possibilidade de haver irregularidades na campanha de vacinação do município:

"Aquelas duas jovens médicas que foram vacinadas e postaram na rede social, hoje (20), que inclusive está sendo objeto de muita polêmica, elas estavam de plantão. Elas estavam trabalhando. Elas estavam atendendo as pessoas no consultório. Essa é a verdade" – contou o prefeito, que também pediu que os servidores não compartilhem fotos recebendo as vacinas.

O Diário Oficial do município mostra que Gabrielle e Isabbele, ambas recém formadas em Medicina, foram nomeadas sem contrato pela prefeitura para cargos comissionados na véspera do início da vacinação. A nomeação foi feita com efeito retroativo para 1º de janeiro.

Outras denúncias

Além do Amazonas, os Ministérios Públicos (MPs) estaduais apuram denúncias de fura-filas das campanhas de vacinação em pelo menos outros cinco estados brasileiros e no Distrito Federal. Como se não bastasse haver poucas doses, algumas pessoas estão sendo passadas para trás.

Prefeitos de algumas cidades da Bahia, Sergipe e Paraíba foram alguns dos primeiros a se vacinar sob argumento de “dar exemplo à sociedade”.  Em Pernambuco, na cidade de Jupi, até mesmo um fotógrafo que trabalha na prefeitura foi um dos primeiros da fila. O MP também apura se funcionários comissionados da Secretaria Municipal de Assistência Social de Natal, no Rio Grande do Norte, furaram a fila. No Distrito Federal, servidores fora dos grupos prioritários também receberam a vacina antes, de acordo com relatos.

Segundo os MPs estaduais, a lista de denúncias não para de aumentar.


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