Empresário diz que pagou quase R$ 1 milhão a Witzel antes das eleições de 2018

O empresário Edson Torres prestou depoimento, nesta quarta-feira (13), no processo que julga o impeachment de Wilson Witzel, e afirmou ter feito pagamentos ao governador afastado antes mesmo das eleições de 2018, além de ter pagado propina para o ex-secretário de Saúde, Edmar Santos.

Segundo Torres, os primeiros pagamentos ao ex-secretário foram feitos ainda quando Edmar Santos era diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto, mas a relação entre os dois se estreitou depois que ele assumiu a pasta da Saúde no governo de Wilson Witzel. Torres alega que teve papel decisivo na escolha de Edmar para a secretaria:

"Nós nos encontramos em um café da manhã no Hotel Hilton. Naquela ocasião, Edmar me pediu para apresentar o currículo dele ao governo recém-eleito. Entreguei o currículo ao pastor Everaldo, que o repassou ao Witzel e o Edmar acabou escolhido para ser secretário de Saúde", contou.

Torres detalhou também como funcionava o esquema de propinas na Saúde do Rio enquanto Edmar Santos era o secretário da pasta, com participação de Organizações Sociais (OSs):

 "Algumas Organizações Sociais faziam pagamentos e quem cuidava da arrecadação (da propina) prestava contas e dividia proporcionalmente. Da arrecadação que se fez, do período de 2019 até maio ou junho de 2020, dos 100% arrecadados, 15% ficavam comigo, 15% com o (empresário) Vitor Hugo, 30% ficavam com o Edmar e 40% iam para o Everaldo e para a estrutura de governo", revelou.

De acordo com Edson Torres, o esquema movimentou de R$ 50 a R$ 55 milhões de reais entre o início do governo Witzel – janeiro de 2019 – e meados de 2020.

Pagamento a Witzel

Questionado se o governador afastado recebia parte da propina, o empresário disse que não tinha essa informação. Mas, segundo Torres, Witzel recebeu um pagamento, não relacionado ao esquema, ainda antes da campanha eleitoral de 2018.

O empresário contou que juntou cerca de R$ 1 milhão para garantir a “subsistência” do então juiz federal se ele viesse a perder a eleição para o governo do estado. Indagado sobre o motivo de ter contribuído com recursos para Witzel, Torres afirmou que havia um entendimento para que suas empresas voltassem a ter contratos com o estado, que vinham sendo cancelados ao longo do governo anterior:

"Juntamos um valor de quase R$ 1 milhão de subsistência caso ele não ganhasse a eleição. O valor foi pago até a desincompatibilização do cargo de juiz. Foram pagas algumas parcelas – uma delas, a Lucas Tristão. Outra foi entregue ao Everaldo em uma sala na Avenida Rio Branco 109, oitavo andar. Nessa ocasião, o então juiz federal estava presente", afirmou.

Segundo Torres, no entanto, a promessa da retomada da “parceria” com o estado não teria se concretizado, e ele teria conseguido ganhar contratos “licitamente” na Cedae e no Detran.