Janeiro Branco: Nossa saúde mental está na conscientização da nossa existência

O ano começa relembrando a importância da saúde mental. A campanha Janeiro Branco enfatiza a importância de uma mente sã principalmente em meio ao período em que vivemos. O neurocientista, psicanalista e jornalista Fabiano de Abreu procura despertar na consciência de cada um, o que devemos fazer para alcançar o equilíbrio e, por consequência, viver uma vida mais feliz e tranquila. 

"É necessário antes de mais nada saber diferenciar a razão de nossa existência, das fantasias criadas pelo nosso desejo. Nós criamos aplicativos que mostram uma realidade ficcional. Se nós publicamos em nossa rede social essa ficção pessoal, ela apenas concretiza nosso desejo secreto.  

Também almejamos um cotidiano que vai muito além da necessidade, passa pelo conforto, chega ao luxo e atinge a ostentação", alerta Abreu.

O neurocientista relembra que não devemos deixar totalmente a rota para a qual fomos traçados. Esquecer o essencial é adoecer. Abreu recorda-nos que “a verdadeira razão de nossa existência é a sobrevivência e a perpetuação da espécie; e a isso estamos condicionados a rodar um programa impresso em nosso código genético. A prova disso, são as disfunções neuronais que revelam doenças mentais, já que o nosso organismo utiliza as mesmas funções instintivas para as necessidades inventadas por nós, nessa sociedade pós-moderna.".

Este desfasamento entre o que queremos e o que necessitamos causa uma série de transtornos.

"Ansiedade, agonia, tristeza, insuficiência, entre outros sentimentos que nos afetam. A maioria é inventado por nós ou é resultado da falta de capacidade em lidarmos com uma realidade natural ", refere o neurocientista.

A conjectura atual foi responsável por nos mostrar a realidade, a nossa verdadeira natureza. Segundo Abreu, a pandemia nos mostrou isso, mas nem todos ainda conseguem enxergar.

“Não somos máquinas, não somos superiores, não somos nossos objetos. Somos humanos, frágeis e orgânicos. Por isso desenvolvemos a inteligência, pois nosso cérebro foi a melhor ferramenta para sobrevivermos e evoluirmos, já que temos um corpo frágil e, por isso, aproveitamos bem as vantagens de sermos bípedes. "

No contexto científico é fácil mostrar a pressão a que estamos sujeitos e o porquê do que nos está a acontecer. 

"Neste momento, o que temos que perceber é a realidade; e esta advém da razão, que vem da consciência. Esta que localiza-se no lobo pré-frontal, região do uso da inteligência emocional, da cognição com todas as suas funções executivas. Hoje nossa meta é sobreviver, nosso desafio é ter paciência, sermos racionais e criarmos estratégias para o presente, já que o futuro a `Deus pertence’. Não deixando de pensar no futuro, mas criando metas possíveis e logo alcançáveis e liberar a dopamina necessária para produzir o humor que nos impulsiona a seguirmos adiante", diz.

Tudo é regido pelo desejo de conquistar, de alcançar. Tudo na vida se move pela recompensa e como nos sentimos diante dela.

"Se não tivéssemos a dopamina (hormônio da recompensa), não teríamos o prazer da conquista. Então, não buscaríamos seguir adiante para nada, nem mesmo nos alimentarmos. Se não houvesse a ansiedade, não nos levantaríamos para buscar a liberação da dopamina. Mas estamos usando esses componentes de forma diferente da necessidade real que é sobreviver e garantir a perpetuação da espécie, liberando todo o tempo com excesso de conquistas, muitas irrelevantes, e aumentando nossa ansiedade para liberar mais dopamina: vício. O que acontece é que nosso organismo não diferencia a necessidade real da criada por nós, fabricando nossos componentes químicos da mesma maneira", esclarece 

Fabiano de Abreu apresenta uma série de soluções para repensar e sair de algumas situações.

"Paciência, inteligência, observação, avaliação, solidariedade, compaixão e muitos outros adjetivos necessários neste momento. Se hoje a sua empresa não vai bem, sua saúde como vai? Sem saúde não há empresa, sem empresa pode haver saúde pois empresa e emprego, há muitos e, se alguém ainda vai bem, é porque você pode ir bem também. O falido se reergue, o falecido não! A questão hoje é se preparar para se reinventar, seja no trabalho ou nos pensamentos. Se recicle, se reinvente, pense com bom-humor, se apoie na natureza, no que te faz bem, se alimente bem, faça exercícios, leia bastante, aprenda, absorva conhecimento, faça a neuroplasticidade cerebral para que seus neurônios, fortes e saudáveis, possam trazer melhores ideias para um melhor futuro", conclui.