Morre prefeito eleito de Goiânia por complicações de Covid-19

O prefeito eleito de Goiânia, Maguito Vilela morreu, nesta quarta-feira (13), por complicações de Covid-19. Maguito tinha 71 anos e uma vida dedicada à política. Maguito exerceu cargos desde 1976, tendo sido governador de Goiás. Ele estava no MDB desde 1979 e também foi ligado ao futebol.

A nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da capital goiana informou que "a família está providenciando o traslado do corpo de São Paulo para Goiás e ele deve ser sepultado em Jataí, sua terra natal".

Maguito Vilela venceu as eleições mesmo afastado da campanha eleitoral por mais de um mês, internado desde o dia 27 de outubro em estado grave no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. O candidato chegou a contar com um aparelho que funciona como pulmão artificial para conseguir respirar. 

A unidade de saúde emitiu nota de falecimento à imprensa no início da manhã desta quarta-feira (13). "O Hospital Israelita Albert Einstein comunica, com pesar, o falecimento do senhor Luís Alberto Maguito Vilela, às 04h10 desta quarta-feira. Maguito Vilela encontrava-se internado desde o dia 27 de outubro para tratamento da Covid-19", diz o comunicado, assinado pelos pneumologistas Marcelo Rabahi e Carmen Barbas, além do Diretor Médico e de Serviços Hospitalares do hospital, Miguel Cendoroglo.

Maguito perdeu duas irmãs para a Covid-19 em agosto de 2020 com menos de dez dia de diferença. No dia 19, morreu Nelma Vilela Veloso, de 76 anos, que tinha diabetes e problemas pulmonares, comorbidades que agravaram o quadro. Já no dia 28, a irmã mais velha, Nelita Vilela, de 82 anos, também faleceu.



Trajetória

Luís Alberto Maguito Vilela nasceu em Jataí, no sudoeste de Goiás, onde passou seus primeiros anos. Na juventude, formou-se em direito na Faculdade de Direito de Anápolis, em 1974. E pouco tempo depois já conquistou seu primeiro cargo político, o de vereador na cidade natal, Jataí, pelo partido Arena, que apoiava o governo militar.

Em 1979, com a reformulação partidária, transferiu-se para o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), atual MDB, partido ao qual ainda era afiliado.

Em 1983, tornou-se deputado estadual e chegou a ocupar cargo de líder do governo na Assembleia goiana. Na eleição de 1986 galgou mais um degrau e virou deputado federal. No ano seguinte, integrou a Assembleia Nacional Constituinte. Participou como membro da Subcomissão dos Direitos e Garantias Individuais, entre outras.

Alguns de seus votos foram: a favor da legalização do jogo do bicho, da proteção do emprego contra demissões sem justa causa e do turno ininterrupto de seis horas; contra a pena de morte. 

Virou vice-governador na chapa encabeçada por Íris Resende – seu padrinho político - no início dos anos 90. Em 1995, tomou posse como governador de Goiás. Uma das medidas de destaque do governo foi a criação do Programa de Apoio às Famílias Carentes, que fazia a distribuição de cestas básicas. Enfrentou uma briga judicial após se recusar a pagar vencimentos e pensões vitalícias de ex-governadores, às quais considerava injustas.

Tornou-se senador em 1999. Tentou retornar ao governo de Goiás em 2002 e em 2006, mas acabou derrotado.

Maguito Vilela foi nomeado vice-presidente do Banco do Brasil em 2007, na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo então ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Em 2008 foi eleito, no primeiro turno, prefeito de Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital goiana.

Foi denunciado entre os políticos delatados pela Odebrecht dentro das investigações da operação Lava Jato. Ele teria recebido R$ 1,5 milhão em caixa dois para campanha junto com seu filho, Daniel Vilela. Eles negaram.

A atuação de Vilela transcendeu a política. Ele chegou a ser jogador de futebol na juventude. Depois atuou como dirigente do Vila Nova Futebol Clube e vice-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

O advogado e político goiano Luiz Alberto Maguito Vilela, de 71 anos, nasceu em Jataí, no sudoeste do estado, em 24 de janeiro de 1949. Ele foi casado com Sandra Regina Carvalho Vilela. Após a separação, casou-se com Carmen Silva, com quem viveu até 2013. Atualmente era casado com Flávia Teles.

Ele deixa quatro filhos: Vanessa, Daniel, Maria Beatriz e Miguel; e uma enteada: Anna Liz.