Mourão afirma que vai se vacinar contra a Covid-19: “questão coletiva”

O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, afirmou nesta segunda-feira (11) que vai se vacinar contra a Covid-19 mesmo após ser curado da doença. Segundo Mourão, a vacinação é uma “questão coletiva” e ele vai esperar sua vez.

“(Vou me vacinar) dentro da minha vez. Eu sou grupo dois de acordo com o planejamento (do Ministério da Saúde). Não vou furar a fila, a não ser que seja propagandística", afirmou o vice-presidente. O Plano Nacional de Vacinação prevê que idosos de 60 a 74 anos sejam o segundo grupo a se vacinar contra a Covid-19. Mourão tem 67 anos.

O vice-presidente está voltando hoje ao trabalho após 12 dias isolado se recuperando da doença, mas mesmo assim pretende se vacinar.  Os cientistas ainda não sabem ao certo por quanto tempo dura a proteção de pessoas que tiveram Covid, mas já foram registrados alguns casos de reinfecção pelo coronavírus.

De acordo com Mourão, no entanto, a decisão de se vacinar não diz respeito só a si:

"Eu acho que a vacina é para o país como um todo, é uma questão coletiva, não individual. O indivíduo aqui está subordinado ao coletivo, neste caso", defendeu.

Impacto apenas em maio

A vacinação contra a Covid-19, de fato, será um desafio de todos os brasileiros. Segundo especialistas, embora as vacinas protejam os indivíduos contra a doença, o principal benefício é conferir a desejada imunidade coletiva, responsável pela diminuição de internações e mortes pela doença.

Calcula-se que entre 15% e 20% dos brasileiros já tenham tido contato com o coronavírus. Mesmo se todos estiverem imunes, por volta de 80% ainda estariam sujeitos à doença. Por isso, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, estipula que a vacinação contra a Covid-19 só tenha impactos reais na queda de casos, internações e mortes a partir do mês de maio, se for iniciada ainda em janeiro:

“Efeito de vacina só a partir de maio desse ano. Antes de maio, não teremos impacto de vacinação na pandemia. Vamos começar a ter diminuição de óbitos, progressiva, diminuições de internação, progressiva, mas isso só se vai sentir de fato a partir de maio.”, afirmou em um evento.

Até que haja cobertura vacinal da maioria da população, os especialistas recomendam os mesmos cuidados de sempre: distanciamento, uso de máscaras e higiene das mãos.