Policiais pagam compras para crianças que não tinham o que comer na Zona Oeste do Rio

O sargento Alexandre Alves Henrique, de 48 anos, e o cabo Giresse de Souza Cândido, de 33, da Polícia Militar, encontraram uma forma nobre de atender à sociedade no final do ano de 2020. Os PMs, no último dia 30 de dezembro, decidiram pagar pelas compras de duas meninas que não tinham o que comer.

As duas primas de 11 anos, Sara e Rayveilly da Silva, haviam comido um mingau ralo de fubá quando decidiram ir sozinhas a um mercadinho a 4 quilômetros de sua casa, em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, para pedir que alguém pagasse por alimentos para o almoço. Já no estabelecimento, Rayvelly contou a Giresse que sua família vinha de João Pessoa/PB, fugindo do pai violento de Sara:

“Fiquei chocado com que ouvi da menina. O que elas estavam comprando não era nada demais. Na conversa, a Rayevilly, mais falante, disse que a avó podia explicar melhor. Peguei o endereço com ela e fui na casa da família. Deixamos as crianças sob a guarda da gerente. Encontrei Dona Maria do Rosário com outros netos, a filha e o genro. Todo mundo morando numa casa apertada. Isso me tocou muito. A gente reclama da vida, mas tem pessoas em pior situação que a nossa, sem ter o que comer!” – contou o cabo Giresse.

Foi aí que os dois agentes da lei resolveram pagar pelas compras de R$ 178,00 das crianças. Tocado com a situação, o sargento Alexandre lembrou como é triste pensar que alguém vive sem a perspectiva da próxima refeição:

“Comer mingau de fubá com açúcar e não ter a expectativa de outra refeição é muito triste.Na casa de sala, quarto, cozinha e banheiro, vivem Maria do Rosário, o marido, a filha, o genro e seis crianças, uma delas especial. Jheycon tem nove anos, mas tem deficiência de crescimento e de fala. Ao todo são 10 pessoas no imóvel. Os adultos estão sem emprego fixo. Só a matriarca recebe o auxílio de R$ 600 do governo federal, do qual tira R$ 500 para o aluguel, que está atrasado um mês. Os R$ 100 restantes são para o gás e a alimentação. A filha Priscila Silva é diarista, mas como estão há apenas cinco meses no Rio, a pandemia acaba trazendo dificuldades para este tipo de atividade.” – analisou.

A Dona Maria do Rosário, avó das meninas conta que se assustou com a chegada dos policiais à casa, mas logo os agentes explicaram a situação. Segundo a matriarca, a família veio mesmo de João Pessoa para a casa de um parente. Porém, como são muitos, decidiram alugar uma casa. Dona Maria, apesar das adversidades, sonha com um 2021 melhor:

“As meninas conseguiram trazer comida para a nossa ceia de fim de ano. No Natal só tivemos arroz com feijão. Agora sonho com todo mundo empregado, uma geladeira funcionado e uma cama” – revelou.

O sargento Alexandre e o cabo Giresse foram reconhecidos pela boa ação no boletim da Polícia Militar desta terça-feira (05).