Nova linhagem do coronavírus é identificada no Rio; não há indício de que seja mais contagiosa

Uma pesquisa do Laboratório Nacional de Computação Científica sequenciou 180 genomas do vírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, provenientes de amostras do Estado do Rio de Janeiro. O grupo de estudos analisou os resultados em colaboração com o Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), secretarias de Saúde de Maricá e do Rio de Janeiro e Laboratório Central Noel Nutels (Lacen).

Foram identificadas cinco mutações caracterizando uma possível nova linhagem originária da B.1.1.28, que já circulava no Brasil, no início do ano. Uma das mutações, a E484K foi anteriormente associada ao escape de anticorpos neutralizantes contra o Sars-CoV-2.

A pesquisadora Ana Tereza Ribeiro de Vasconcelos, do Laboratório Nacional de Computação Científica, explica que, de acordo com as análises filogenéticas, o surgimento desta nova linhagem ocorreu em julho de 2020 e foi identificada, principalmente, no Rio de Janeiro, Cabo Frio, Niterói e Duque de Caxias.

As análises indicam que a linhagem B.1.1.28 aparece como emergente, sendo identificada em 38 dos 180 genomas sequenciados. Por outro lado, os pesquisadores apontam que a linhagem B.1.1.33 está em declínio. O trabalho foi submetido em 20 de dezembro à plataforma MedRxiv.

Segundo Ana Tereza, não existe indicação de que essa linhagem seja mais transmissível ou que possa interferir na efetividade das vacinas que estão sendo desenvolvidas. Entretanto, ela ressalta a importância de estudos contínuos de vigilância genômica para análise da dispersão dessa nova linhagem e na identificação de novas variantes do Sars-CoV-2 no estado do Rio de Janeiro e no Brasil.

*Governo do RJ