Farmacêutica brasileira vai solicitar liberação emergencial da vacina russa Sputnik V em janeiro

A farmacêutica brasileira União Química informou que vai solicitar em janeiro a autorização do uso emergencial da vacina russa Sputnik V. A empresa tem parceria com o Fundo de Investimento Direto Russo (RDIF) para produção do imunizante no país.

Segundo o Instituto Gamaleya, que desenvolve o composto, a Sputnik V teve 91% de eficácia contra a Covid-19 em testes de fase 3. Os resultados ainda não foram publicados em revista científica, mas a própria Rússia, a Argentina e Belarus já aplicam a vacina em suas populações.

Na noite desta terça-feira (29), a União Química solicitou à Anvisa a liberação para realizar os testes clínicos também no Brasil. Segundo Rogério Rosso, diretor de Negócios Internacionais da empresa, o pedido para uso emergencial será encaminhado logo após a permissão da condução dos testes:

"Com testes feitos fora do Brasil, e essencialmente na Rússia, nós também estamos submetendo à Anvisa estes testes para que possa, com os elementos de segurança, eficácia e bem-estar da população, ter os elementos para o pedido emergencial no Brasil" – contou o diretor.

Plano Nacional de Imunizações

A União Química tem acordo para importação, transferência de tecnologia e produção da Sputnik V, o que poderia começar também já nas próximas semanas. Segundo Rogério Rosso, as fábricas da farmacêutica passarão por adaptações que permitirão produzir 8 milhões de doses por mês:

"Todas as indústrias farmacêuticas do planeta vão precisar se adequar. Nós já temos equipamentos muito similares ao Instituto Gamaleya, que nos permite realizar uma parte da produção nas próximas semanas” – contou.

A Sputnik V não foi citada pelo Ministério da Saúde entre as avaliadas para uma possível incorporação no Plano Nacional de Imunizações (PNI). Entretanto, o governo do estado do Paraná também tem acordo para transferência de tecnologia de produção da vacina em favor do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). Segundo o governo paranaense, o Tecpar será o representante da vacina junto ao PNI.