Fiocruz classifica dia como

A presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Nísia Trindade, classificou esta quarta-feira (30) como “um dia histórico”, depois que o Reino Unido aprovou o uso emergencial da “vacina de Oxford” contra a Covid-19. Imunizante preveniu 100% das internações pela doença.

"É um dia histórico, pois é mais um elemento de esperança diante de uma situação de grande sofrimento. Uma esperança que vem da ciência e vem de uma visão de saúde pública. Porque a vacina não é só eficaz, mas adequada para países de população do tamanho do nosso, com as suas diferenças regionais e sociais. É uma vacina adequada para o nosso Sistema Único de Saúde (SUS)" – afirmou Nísia Trindade.

O imunizante desenvolvido pela universidade britânica em parceria com o laboratório AstraZeneca é bem mais barato que os da Pfizer e da Moderna, por exemplo, e tem uma logística de armazenamento bem mais fácil, sem a necessidade de freezers especiais. Essas são as características mais indicadas para uma vacinação em massa de grandes populações, como a do Brasil.

“É uma vacina que também começa em um sistema público, tradicional, o sistema inglês. E aqui no Brasil é muito adequada para o SUS pela sua conservação, pelo seu custo e por ter sustentabilidade.” – disse a presidente.

O Ministério da Saúde fechou a compra de 100 milhões de does da vacina, que será produzida pela Fiocruz a partir de janeiro com insumos vindos do Reino Unido. No segundo semestre, após transferência de tecnologia, a produção será independente, o que vai garantir autonomia ao Brasil em longo prazo.

Ainda de acordo com Nísia Trindade, a Fiocruz deve entregar o pedido de registro à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) até o dia 15 de janeiro, com previsão de entrega das primeiras 1 milhão de doses na segunda semana do mês de fevereiro. A partir da semana seguinte, a produção deve alcançar 3,5 milhões de doses semanais.

100% de eficácia contra casos graves

No regime de duas doses aprovado pelas autoridades britânicas, a vacina apresentou 62% de eficácia contra a infecção pelo novo coronavírus e preveniu 100% das internações por Covid-19.

Segundo os resultados, a vacina já confere um bom nível de proteção poucos dias após a primeira dose. Dessa forma, a estratégia de aplicação adotada no Reino Unido será a de aplicar uma dose no maior número possível de pessoas do grupo de risco, administrando a dose de reforço apenas 12 semanas depois.

A Fiocruz também deve recomendar esse regime de aplicação, que pode garantir mais rapidamente o alívio dos sistemas de saúde:

"O Reino Unido fez o registro considerando um intervalo de 12 semanas, ou seja, de três meses. E isso também é muito importante, porque é uma decisão de saúde pública. Nós poderemos vacinar mais pessoas, como fará o Reino Unido – mas essa decisão cabe ao Programa Nacional de Imunizações". – completou Nísia Trindade.

Fábricas da Fiocruz

A vacina de Oxford vai ser produzida pela Fiocruz na Fábrica de Bio-Manguinhos, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A unidade é responsável pela produção de diversos outros imunizantes, como o da febre amarela.

Um acordo entre a Fiocruz e a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin) vai possibilitar a construção da maior fábrica de vacinas da América Latina no Distrito Industrial de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. Com 580 mil metros quadrados, o laboratório tem previsão de inauguração para 2023.